Vanessa Díaz
Como aquela pequena revelação que o meu irmão me fez foi o suficiente para que o meu corpo perdesse as forças, as minhas pernas foram ficando moles e quase não conseguia ouvir o que ele estava falando, nos últimos dias eu vinha pensando em realmente tentar falar com ele e contar sobre o Guilherme sobre o medo que tive de que o Carrillo nos encontrasse e usasse o meu filho para tentar conseguir informação que eu mesmo não sabia qual era.
A minha família sempre esteve em perigo, então saber que o Gustavo por um acaso conseguiu chegar perto de mim mesmo que sem querer fico aflita, os meus olhos se fecham e sinto que me apoio no chão e lágrimas começam a molhar o meu rosto, com o medo e desespero.
- Juan tenho que ir embora, preciso fugir dele... – Começo a pensar em várias formas em como posso sair da cidade, paro por um instante e penso uma coisa, para onde iria?
Juan me ajuda a levantar e continuo tão agitada com a adrenalina no meu corpo que não consigo entender o que ele me fala, começo a subir os degraus de dois em dois entro no meu quarto o mais rápido que posso, abro a porta do closet e arranco uma das minhas malas de lá, vou pegando as minhas roupas e colocando elas dentro arrumadas para conseguir levar o máximo que puder, estou tão agitada que nem percebo quem o meu irmão estava de braços cruzados no batente da porta me olhando.
- Eu não vou, e vamos conversar agora mesmo. — Ele puxa o puff e se senta na minha frente, o meu irmão é cinco anos mais novo que eu com os meus 27 anos, mais quando ele quer ser firme eu apenas me calo e o escuto. – Está na hora de contar a verdade para ele Nessa.
- Eu ainda não consigo, ele vai me acusar de mentir sobre a paternidade e pior ainda ele pode querer brigar pela guarda do Gui... – Preciso parar de falar, a minha voz começa a ficar embargada pelo choro e tento recuperar o meu fôlego.
- Sinto muito Vanessa, mas não pode mais fugir o Eduardo me viu quando fui pegar o Gui do colo do pai dele – Como assim no colo dele – Se parar de me olhar assim eu explico tudo para você. – Respiro fundo e tento me acalmar para que ele possa me explicar o que aconteceu.
- Depois que a minha reunião acabou eu deixei o Gui com a secretaria que está sempre no meu andar e ela ficou andando com ele enquanto eu fazia uma mamada para ele para que pudéssemos voltar para casa, mais em algum momento ela acabou deixando ele entrar na sala que o Gustavo estava, e quando vi ele estava sentado no colo dele conversando com o Eduardo que percebeu a semelhança enorme que existe entre eles dois. – Eduardo e o meu irmão se conheceram quando ele foi na minha casa uns dias depois que voltei para o Brasil, ele teve sorte de me encontrar estávamos nos arrumando para embarcar para a Argentina naquela mesma noite.
- Como pode isso Juan, como mesmo fugindo dele como sempre fiz você conseguiu emprego justamente na empresa que é dele? – Ele segura o meu rosto com as duas mãos e beija a minha testa.
- Chega de fugir, está na hora de enfrentar o homem da sua vida e toda a verdade que precisa contar para ele, e se o Carrillo aparecer iremos enfrentar também juntos como sempre fazemos as coisas. – Continuo a dobrar as minhas roupas e colocar na mala num ritmo mais lento, o meu irmão tem razão está na hora de enfrentar todo esse medo e explicar para ele tudo o que tem acontecido e criar coragem de contar para ele sobre a minha vida. – Até quando você vai se enganar dizendo que já não decidiu ficar e enfrentar tudo isso, mas quer saber pode continuar colocando tudo na mala, você que vai guardar mesmo, tome logo o seu banho que aquela lasanha não vai ficar pronta sozinha.
O meu irmão me deixa sozinha no meu closet, e olho para minhas roupas que ainda estão penduradas, demorei tanto para reconstruir a minha vida aqui no Texas já estava quase me sentindo em casa aquele sentimento de lar, e não quero que o meu filho se lembre da infância dele que vivia mudando de casa, quero que ele tenha lembranças que ele cresceu num lar feliz e não amedrontado.
Quando ainda estava grávida dele, me perguntava como iria registrar ele somente no meu nome, como ele iria se sentir em ver que não tinha o nome do seu pai em nenhum dos seus documentos, eu não queria isso para ele quero que ele tenha o seu pai por perto, mas ainda tenho medo que o Gustavo me tome o nosso filho dos meus braços que ele use a sua influência e o seu dinheiro para fazer isso.
Olho para a mala que estava entre as minhas pernas e percebo que vou ter trabalho em guardar tudo, mas decido fazer isso em outro momento, me levanto e começo a me despir, entro no chuveiro para relaxar e pensar em como vai ser o nosso reencontro, porque sei que mais cedo ou mais tarde iremos nos ver.
Finalizo o meu banho e me olho no espelho e como estou diferente de três anos atrás, deixei de ser loira, o meu cabelo está mais escuro, os meus olhos azuis me dão um destaque no rosto que eu amo, os meus s***s ficaram maiores devido o período que dei de mamar para o Gui, me sinto mais bonita hoje do que há três anos atrás, crio coragem e pego o meu celular e está na hora de falar com uma pessoa.
VANESSA: Oi! É isso mesmo sou eu a Nessa, como você está?
Espero que ela retorne a mensagem por que ela acabou de ser visualizada, o meu coração começa a palpitar cada vez mais rápido, e em vez de uma frase ela me envia vários emoji de surpresos.
BIANCA: Passei o dia todo esperando para vê se você iria me mandar mensagem, me diga como está?
Sabia que o Eduardo não deixaria de contar para ela que tinha nos encontrado.
VANESSA: Eu só soube agora que o Eduardo viu o meu irmão, e não é so isso...
BIANCA: Não vou te julgar, apenas diga a verdade e em mim sempre vai encontrar uma amiga para desabafar, mesmo agora eu querendo muito brigar com você, me diga a verdade Vanessa.
Conversamos por um bom tempo, e prometi que até o final da semana estaria mandando a minha localização para ela, mais primeiro precisava conversar com o Gustavo e por a história a limpo, ela me disse que teria muitos problemas com os nossos sogros, ela teima em dizer que até hoje eles me consideram com nora deles, quando chego na cozinha o meu irmão estava sentado numa banqueta mexendo no seu tablet algo referente do trabalho.
- E aí o que você decidiu fazer? – O olhar dele sai do seu tablet ultra moderno paguei chorando, mas fico feliz que se for preciso podemos comprar o meu rim outra vez.
- Que amanhã eu vou trabalhar normalmente, e que vou esperar ele aparecer por lá por que eu sei que ele vai. – Um sorriso enorme surge no rosto do meu irmão.
- Sabia que não era tão medrosa assim minha irmã, e não se preocupe vai dar tudo certo e vocês dois vão achar um ponto de equilíbrio em relação ao Gui, só mantenha a calma ele vai te acusar de tudo, menos de santa. – Eu abaixo a cabeça e sei disso também.
Vou para trás do balcão e preparo a lasanha que já estava meio caminho andado, faltava fazer apenas o molho e por para assar, depois de tudo pronto arrumo tudo que tínhamos sujado e ficamos sentado um do lado do outro esperando a nossa refeição.
- Nessa e se ele ainda for apaixonado por você, o que pretende fazer. – Não aguento com a pergunta dele e começo a rir dele.
- Fala sério, ele não é apaixonado por mim, talvez já foi um dia, mas hoje ele quer me matar pode ter certeza. – Meu irmão fala algo que não entendo.
- Sei não, mais o que você faria. – Olho para ele e só n**o com a cabeça e fico em dúvida.
- Não sei, realmente não sei por que eu duvido muito que ele ainda sinta algo por mim. – Conversamos muito enquanto esperávamos a lasanha ficar pronta, recebemos a visita da Nicoly e a chamo para jantar com a gente, ela me diz que no próximo semestre não vai mais poder ficar com o Gui por que ela deve entrar na faculdade e pediu milhões de desculpa pelo, o que ela fez hoje, mas deixei bem claro que não ficamos magoados com isso que, na verdade foi uma provisão divina, então amanhã ela vai ficar com o Gui como qualquer outro dia.
Acordo e sinto que hoje o meu dia pode ser muito tranquilo ou bastante agitado, tudo depende do destino, me levanto e peço para que todos os anjos me acompanhem no dia de hoje e principalmente me protejam de qualquer coisa que possa me acontecer.
Hoje escolho uma saia abaixo do joelho escura e um body escuro também com um pouco de renda mais nada muito depravado, e uma jaqueta escura se ele aparecer lá quero estar deslumbrante para que ele pense um pouco antes de me jogar lá de cima.
Entro no quarto do meu filho e dou um beijinho no seu cabelinho e saio do seu quarto sei que daqui a pouco a Nicoly chega para ficar com ele, chamo um carro de aplicativo para me levar para o trabalho ou vou chegar muito tarde hoje e sei que temos algumas reuniões com o pessoal do “marketing” e não posso me atrasar.
Assim que passo pelas portas giratórias do prédio os funcionários estão esquisitos, parecem meio temerosos, mais não dou importância, mantenho o meu fone de ouvido e me olho no espelho para arrumar o meu cabelo que bagunçou um pouquinho com o vento do carro, e logo as portas se abrem vou para minha mesa guardar a minha bolsa, vou na copa preparar o café para os membros que vão participar da reunião, volto para a minha mesa e pego todos os documentos que iria precisar e sigo para a sala de reunião.
Percebo que o meu chefe estava na poltrona sentado de costa admirando a vista e o cumprimento.
- Bom dia senhor Maycon, resolvi chegar mais cedo para deixar tudo preparado para a reunião de agora pela manhã. – Termino de pôr as pastas na frente de cada cadeira.
- Bom dia Nessa. – Aquela voz me faz parar o que estava fazendo, levanto o meu rosto devagar, e olho para aquele homem que passei praticamente três anos fugindo dele, e como ele continuava lindo. – Está na hora de ter uma conversa franca comigo não acha?