O herdeiro do morro da Rocinha, [23/06/2023 18:24]
Capítulo 69
Lorenzo narrando
Estaciono a moto na frente do orfanato onde Silvia cresceu e Tea vem ao meu encontro.
— Menino Lorenzo – ela fala
— Eu quero mais informações – eu falo
— Tudo que eu sei eu te falei – Tea fala me encarando
— VocÊ realmente se importa com a Silvia? – eu pergunto para ela – então, me conta a verdade. Eu não engulo que ela foi deixada em um cesto na frente do orfanato assim do nada, tem que ter algo, alguma pista.
— Ela nunca quis saber sobre os pais e sempre deixou claro isso – Tea fala – talvez remexer no passado dela, seja dolorido de mais.
— Silvia está grávida e não quer a criança – eu falo
— Não? – ela pergunta – meu Deus.
— Ela quer dar para essa criança o mesmo destino que ela teve por não conhecer a sua família, você precisa me dizer algo, quem é os pais dela.
— Eu já disse que eu não sei – Tea fala
— Quando ela chegou aqui, quem a trouxe?
— Uma garota ruiva – ela fala – acompanhada de duas mulheres.
— Três garotas? – eu pergunto
— Mas as outras duas mulheres não saíram do carro, tinha um homem também loiro alto esperando por ela no carro.
— E os nomes?
— Não falaram - ela fala – apenas entregaram a Silvia e me entregaram dinheiro.
— Como era essas garotas?
— Eu não lembro – Tea fala – por muito tempo eu recebi dinheiro para que cuidasse da garota, mas depois nunca mais recebi nada.
— Nenhuma informação? – eu pergunto
— Não – ela fala – Silvia tinha com ela um colar, um colar.
— E cadê esse colar?
— Silvia tem ele, eu entreguei a ela – Tea responde – mas eu não sei mais nada.
— E minha mãe a senhora conheceu quando? – eu pergunto
— Antes de vir para cá e trabalhar nesse orfanato, eu conheci a sua vó, depois que a sua vó morreu eu nunca mais vi Heloisa, até ela aparecer aqui querendo adotar uma criança – ela fala.
— Se você souber de alguma informação ou lembrar de algo, você me avisa – eu falo para ela.
— Pode deixar, cuida bem da minha menina – ela fala e eu assinto com a cabeça.
Eu volto para o morro e já era bem tarde quando chego já que o orfanato ficava a algumas horas , eu estava intrigado, quem era essa garota que deixou a Silvia com essas outras duas mulheres no carro e um homem loiro alto esperando no carro, eu ficava cada vez mais intrigado com essa história e nem sei se deveria remexer.
Eu passo com a moto por um beco e vejo a Silvia sentada, eu estaciono a moto e saio dela e vou para o beco.
Silvia está de cabeça baixa e mexendo com as mãos na areia.
— Silvia? – eu chamo por ela e ela levanta a cabeça assustada e vejo que ela estava com a boca suja – o que você está fazendo?
— Nada – ela fala limpando as mãos e a boca e eu me aproximo dela. – Nada, vai embora daqui – ela se levanta e eu encaro a sua boca suja, eu passo a mão pela sua boca. – Para Lorenzo , vai embora daqui. – ela diz nervosa.
— Silvia, você está comendo terra? – eu pergunto e ela arregala os olhos me encarando.
O herdeiro do morro da Rocinha, [24/06/2023 16:33]
Capítulo 70
Silvia narrando
Eu encaro Lorenzo e ele me encara.
— Porque você está espantado? – eu pergunto e ele me encara
— Porque está comendo terra – ele fala
— Engraçado que você ter me feito comer areia da praia pode e eu comer terra, não posso? É só se você me obrigar? – eu pergunto nervosa.
— Silvia, fala sério. Você está comendo terra por contra própria.
— Me deu vontade – eu falo e ele me olha
— Como assim vontade?
— Vontade – eu respondo – eu sentei aqui, olhei para terra, ela me olhou e eu comi. Olha que ódio de você , ódio Lorenzo – eu o empurro
— Cara você tá comendo areia porque sentiu vontade? Vontade a gente sente de um churrasco, uma carne m*l passada, de um hamburguer, sei lá, p***a mas de areia? Você tá ficando maluca?
— A culpa é sua – eu falo
— Minha? – ele fala rindo – você que senta ai e começa comer areia e a culpa é minha sua malucSila. Se tá pirando a sua cabeça.
— É gostosa – eu respondo e ele me encara
— É o que?
— A porcaria da areia é gostosa, da terra – eu falo
— Não – ele fala rindo – você não vai comer isso de novo, eu te tranco de novo naquele porão.
— Foi você que me fez provar, mas lá era salgada aqui era doce.
— Areia é doce? – ele pergunta me olhando
— É – eu falo e eu tinha um pouco na mão
— Fala sério, eu vou te trancar de volta naquele porão – e eu jogo nele areia – você está louca.
— Para de me chamar de maluca.
— Você estava comendo terra – ele fala – estava comendo terra, para de ser doida e volta para casa do Ph, anda vou te levar.
— Eu não vou com você – ele segura em meu braço mas eu tiro a mão do meu braço – você não manda em mim
— Eu vou te levar e me assegurar que você não vai mais comer terra e se duvidar, mando tirar todas essas terras e fazer calçamento.
— i****a – eu falo para ele
— Você que come terra – ele fala me olhando
— Esse maldita gravidez – eu resmungo e ele me encara – é por isso, eu como como passo m*l, tenho vontade de comer coisa estranha.
— Terra é muito mais que estranho – ele fala
— Você que me fez provar, não sei porque está reclamando – ele me encara
— Eu te levo para casa.
— É aqui do lado, eu consigo caminhar, tenho duas pernas – eu olho para ele
— Mas vai que no caminho você pare para comer terra – ele começa a rir e eu o encaro nervosa.
— Seu filho da p**a fica me zoando – eu vou para cima dele e começo a bater nele e ele só sabia rir e eu paro e me afasto dele mudando meu seblante.
— Vai desculpa, não queria te zoar.
— Tua mãe e teu pai estão em casa?
— Deve estar um em cada canto.
— Chama eles para a gente conversar em um lugar – ele me encara
— Como assim conversar?
— Precisamos resolver de uma vez por outra sobre essa criança – eu olho para ele e ele me encara. – Anda, vamos fazer isso agora.