128 — Henrique m Eu não conseguia apagar o sorriso do rosto nem se eu quisesse. Se alguém me dissesse, meses atrás, que eu estaria aqui, em um bar discreto na zona sul, esperando a Juliana para um encontro, eu diria que era delírio. Mas aconteceu. Eu consegui. Depois de anos guardando esse sentimento, de ver ela passar pelos corredores do hospital ou de longe na Penha, sempre inalcançável, sempre protegida por aquele muro de medo e lealdade ao "Urso", ela finalmente disse sim. Era um desejo reprimido, uma obsessão que eu guardava no fundo do peito. Para o mundo, eu sou o Dr. Henrique, o médico exemplar. Mas por dentro, eu sempre fui apenas um homem perdidamente louco por aquela mulher, pelos cachos dela, pela força que ela carrega. Olhei para o relógio pela décima vez. Ela não deixou qu

