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1854 Palavras

61 — Marta Narrando O silêncio da minha casa hoje tem um peso diferente. É um silêncio que não me assusta, mas que me faz pensar em cada minuto desses anos todos. Eu olho para o sofá onde a Juliana costumava sentar para me contar os sonhos dela, antes de toda essa tempestade de fuzil e de grades de presídio entrar na nossa vida, e sinto uma saudade que chega a arder no fundo do peito. Mas é uma saudade limpa. É a saudade de quem sabe que a filha está respirando ar puro, longe do rastro de sangue que aquele rapaz deixou por onde passou. Minha filha sempre foi uma força da natureza. Desde pequena, a Juliana nunca esperou nada cair do céu. Batalhadora, correndo atrás das coisas dela, montando aquela loja com o suor do próprio rosto... ela sempre foi luz. E ver essa luz se apagando aos pouco

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