98 — Juliana Narrando Eu continuei ali, sentada no sofá, com o veneno das mensagens daquela Bruna ainda queimando na ponta dos meus dedos. Olhava pro Diego e sentia um asco misturado com aquela dor de quem foi trocada, mas eu engoli seco. Minha prioridade era o meu filho. O Pedro estava radiante, comendo o bolo de fubá que a Dona Nádia fez, sujando o canto da boca e rindo das histórias que a avó contava sobre quando o Diego era pequeno. — Filho, olha o relógio... — falei, a voz saindo mais firme do que eu pretendia. — A gente tem que voltar pro hospital. O Dr. Henrique só deu três horas e o tempo está acabando. O sorriso do Pedro sumiu na hora. Ele largou o pedaço de bolo no prato e os olhos dele encheram d’água. Ele agarrou o braço do Diego com uma força que me surpreendeu. — Não! Eu

