173

1806 Palavras

173 -- Urso Narrando O vento batia no rosto e o Pedro ia ali, agarrado no guidão da XRE, rindo alto toda vez que eu dava uma aceleradinha de leve. Por um momento, o mundo lá fora — a traição, o sangue do médico, a guerra da Penha — parecia não existir. Eu era só um pai com o filho no tanque da moto. Paramos na sorveteria do asfalto, bem na divisa. O moleque parecia que tinha saído de um jejum de cem anos. — Pai, eu quero aquele de morango com cobertura de chocolate! E granulado! E aquela jujuba em cima! — ele pedia, com os olhos brilhando. — Pede tudo, meu neguinho. Hoje o papai paga o que tu quiser — falei, sentindo um nó na garganta. Sentei com ele na mesinha de plástico e fiquei só olhando ele se lambuzar. O Pedro parou de lamber a colher por um segundo, olhou bem no fundo dos meu

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR