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1704 Palavras

88 — Juliana Narrando O silêncio que ficou na sala depois que a porta bateu e o motor do carro do Diego arrancou foi o primeiro momento de paz que eu tive em dias. A tensão que estava esticada feito corda de náilon finalmente relaxou. Olhei para a Dona Nádia, que ainda segurava a bengala com aquela postura de rainha, e senti uma gratidão que não cabia no meu peito. Sem ela, eu ainda estaria lá fora, sendo humilhada por aquele ogro. — Dona Nádia... eu nem sei como agradecer à senhora — falei, a voz ainda meio trêmula, mas carregada de alívio. — Se não fosse a senhora, ele não ia me ouvir nunca. Ele ia me deixar lá na calçada até o sol nascer e ia continuar achando que eu vim aqui por golpe. Ela me olhou com aquele olhar doce, mas que carrega uma sabedoria de séculos. Guardou a bengala n

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