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1191 Palavras

GARDERNAL NARRANDO O radinho não para. É um "bipe" atrás do outro, a frequência tá disparada desde que o sol nasceu. O morro tá num clima que eu não via há muito tempo. A molecada tá frenética, limpando os fuzis, estocando foguete, e o povo na favela já tá sentindo o cheiro de festa no ar. Mas eu? Eu tô aqui na contenção, com o peito explodindo, mas mantendo a postura de sujeito homem. Foram dois anos, parceiro. Setecentos e trinta dias carregando o piano sozinho. Quando o Urso rodou, o mundo desabou na minha cabeça. Eu era o braço direito, o cara de confiança, mas assumir a frente da Penha com o patrão trancado em Bangu é outra responsabilidade. Não é só trocar tiro com os "alemão" ou com o choque; é manter a ordem, é não deixar a ganância subir na cabeça de ninguém, e, principalmente,

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