133 -- Urso Narrando O sol nem tinha batido direito na janela e eu já tava de pé. Passei a noite em claro, naquela função de vigiar o celular e esperar a foto que a Juliana não mandou, mas quando olhei pro Pedro dormindo, a raiva deu uma trégua. Hoje o dia era dele. O herdeiro tava em casa e eu ia botar o moleque no padrão. Acordei ele com maior cuidado, levei pro banho e já fui separando o kit. — Vem, campeão, que hoje tu vai sair igual ao pai — falei, já puxando a gaveta de roupa nova que eu comprei. Botei nele o manto sagrado: camisa do Flamengo vermelha e a bermudinha preta, tudo original, no brilho. No pé? A Kenner preta de cria, nada de sapatinho de shopping. Pra fechar o pacote, peguei um cordãozinho de ouro meu, dei duas voltas pra não ficar grande demais, botei um reloginho no

