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1731 Palavras

54 — Urso Narrando Eu não sei onde eu estava, mas não era na Penha. O lugar era um vazio cinzento, um corredor que não tinha fim, onde o som do fuzil não era barulho, era um eco de alma penada. Eu sentia um frio que vinha de dentro dos ossos, um gelo que nem o sol do Rio de Janeiro seria capaz de esquentar. Eu caminhava por aquele vazio e, em cada sombra, eu via um rosto. Vi moleques que perdi na guerra, vi inimigos que mandei pro ralo, vi o olhar de cada mãe que chorou por causa de uma ordem minha. E no final desse corredor, tinha uma figura sentada, sem rosto, sem voz, mas que falava direto na minha mente. Era a Morte. Ela não tinha pressa. Ela me olhava como quem olha para um relógio que está prestes a parar. — Ainda não, Diego? — a voz dela era um sopro de vento gelado. — Você prom

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