112 — Juliana Narrando O despertador nem precisou tocar. Eu já estava com os olhos pregados no teto desde as quatro da manhã, ouvindo o silêncio pesado da Penha antes do morro acordar de verdade. Olhei pro lado e vi o Pedro, mergulhado num sono que parecia de anjo, com o rostinho quase sumindo no meio daqueles travesseiros de pluma que o Diego mandou entregar. Falar daquela cama era falar da loucura que virou a casa da minha mãe nesses últimos dias. O Diego não mandou uma cama de casal comum, não. O "gorila" mandou uma Extra King Size que ocupou quase o quarto todo, daquelas que você afunda e não quer sair nunca mais. Lençóis de mil fios, edredom que parecia uma nuvem e um cheiro de coisa nova e cara que contrastava com as paredes simples da Dona Marta. Ele cumpriu o que disse: "Meu fil

