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1081 Palavras

181 -- Juliana Narrando Eu fiquei ali, parada no meio da sala da minha sogra, olhando para os pedacinhos do divórcio espalhados pelo porcelanato igual papel picado de Carnaval triste. Meu peito subia e descia. O Diego é um bicho bruto, mas aquela risada grossa dele, aquele jeito de negar com raiva... aquilo começou a martelar minha cabeça. Será que eu tô maluca mesmo? — pensei, sentindo o sangue esfriar. — Será que foi tudo uma coincidência desgraçada? Não é possível que o mundo se armou contra ele desse jeito. Mas a dúvida é um veneno que corrói. Eu não aguentei. Fui atrás dele, bati o pé no corredor e entrei no quarto sem pedir licença. Dei de cara com ele sentado na cama, o ombro enfaixado e aquela fumaça de cigarro subindo, mesmo com a Dona Nádia proibindo. Ele me olhou com um olho

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