95

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95 — MARTA NARRANDO O barulho da chave virando na fechadura pareceu um tiro de canhão no silêncio do corredor. Fazia quatro anos que eu não respirava aquele ar. Quatro anos que eu bati a porta com o coração na mão, levando a Juliana e um segredo que pesava mais que a nossa mudança, fugindo pro Sul pra salvar o que restava da nossa paz. Quando a porta abriu, o cheiro de lugar fechado, de poeira e de tempo parado me abraçou. Entrei devagar, tateando a parede até achar o interruptor. A luz piscou, relutante, e revelou a minha sala. Estava tudo do jeitinho que eu deixei, mas coberto por lençóis brancos que agora pareciam fantasmas de uma vida que a gente interrompeu. Os móveis que eu lutei tanto pra comprar, as fotinhas na estante... tudo ali, parado no tempo, enquanto o mundo lá fora não p

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