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65 — Marta Narrando Eu não aguento mais. Já se passaram cinco, quase seis meses, e a minha paciência com esse segredo se esgotou junto com a minha paz. Toda vez que eu desligo o telefone com a Juliana, meu coração fica pequeno, parecendo uma uva passa. Eu ouço a voz dela mudando, ouço ela falar que o bebê chutou, que a barriga está pesada, que ela está com desejo de coisas que só eu sei fazer... e eu aqui, presa nesse Rio de Janeiro, sendo vigiada por um bicho acuado que nem o Diego. Ver a Dona Lurdes, uma estranha, cuidando da minha única filha grávida? Fazendo sopinha de legumes, dando palpite no enxoval, vivendo o que era pra ser o meu momento? Isso está me matando por dentro. Eu sou a avó. Eu sou a mãe. Meu lugar é lá, segurando a mão da Juliana quando o corpo dela reclamar e sendo o

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