117 — Urso Narrando O sol de manhã cedo na Penha tem um jeito diferente de entrar pela janela. Ele não pede licença, ele invade. Acordei com a claridade batendo direto na minha cara e, por um segundo, esqueci onde eu estava. Tentei dar aquela espreguiçada de costume, mas o corpo deu o troco na hora. — p**a que pariu... — o resmungo saiu entre os dentes. Uma fisgada violenta subiu pelas minhas costas, bem ali na lombar, onde os caras fizeram o serviço. Parecia que tinham cravado uma estaca de ferro quente no meu osso e deixado lá. A dor era chata, latejante, daquelas que te lembra que tu é de carne e osso a cada movimento que faz. Mas eu ignorei. Engoli o seco, cerrei o punho e virei o pescoço devagar, pro lado. Toda a dor do mundo sumiu quando eu bati o olho na maca do lado. O Pedro a

