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1490 Palavras

135 — Juliana Narrando Eu fiquei ali, jogada no meio do caos, com o peito subindo e descendo numa respiração que parecia que ia me rasgar por dentro. O som do pneu da blindada fritando no asfalto lá fora foi sumindo, e o silêncio que ficou no quarto era mil vezes pior que o grito do Diego. Olhei ao redor e parecia que um furacão tinha passado. O espelho que eu tanto gostava tava estraçalhado no chão, refletindo o meu desespero em mil pedaços de vidro. A porta do guarda-roupa arrancada, as minhas roupas espalhadas... e eu, nua, me encolhendo naquele lençol como se ele pudesse me proteger do monstro que o pai do meu filho se tornou. Meu queixo latejava. A mordida que ele deu foi de bicho, uma marca de posse carregada de ódio. Levei a mão ao rosto e senti a pele quente, inchada. Meus braç

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