VITÓRIA NARRANDO Assim que eu cheguei em casa, a primeira coisa que notei foi o silêncio. O carro do Felipe não estava na garagem. E eu agradeci mentalmente por isso, como se fosse uma pequena misericórdia no meio do caos. Meu corpo inteiro relaxou por um segundo, só o suficiente pra eu conseguir respirar fundo sem sentir aquela pressão no peito que já tinha virado rotina. — Vai, Vitoria… vai, logo, você consegue — murmurei pra mim mesma, quase como um mantra, enquanto fechava o portão com cuidado. Eu não tinha muito tempo. Se ele chegasse enquanto eu estivesse ali, qualquer movimento diferente poderia virar motivo pra desconfiança. E desconfiança, no Felipe, sempre vinha acompanhada de perguntas demais, controle demais… e medo. Entrei em casa tentando manter tudo o mais normal pos

