Vitória narrando Depois daquele dia cansativo, eu fui pra casa no automático. O corpo indo, a cabeça ficando pra trás, presa nos corredores frios da penitenciária, nos olhares tortos, nos silêncios que diziam mais do que qualquer ameaça dita em voz alta. Assim que entrei, larguei a bolsa em qualquer canto e fui direto pro banheiro. Precisava da água. Precisava daquele barulho constante pra abafar o resto. Entrei no chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu corpo como se pudesse levar junto o peso do dia. Fiquei ali parada, os olhos fechados, sentindo o calor bater na pele, tentando respirar direito. Como é que alguém consegue ser daquele jeito? Eu não entendo. Não entendo como aqueles guardas podem agir assim. Eles estão ali pra cumprir o serviço deles, pra garantir segurança, e usam a

