Ethan Colle
Acordo ansioso, com a mente a mil. Hoje Noah trará a garota que fingirá ser minha namorada, e não consigo parar de pensar nisso. Ainda deitado, reflito o quanto eu confio em Noah. Sei que ele não envolveria alguém nessa história sem ter total certeza da sua confiança. Isso me tranquiliza um pouco. Eu confio em Noah a minha vida, e confiaria ele a Helena, pois sei que ele cuidaria dela tão bem quanto eu. Eu desconfio que eles tiveram algo, não me contaram, talvez, com medo da minha reação, meu melhor amigo e minha irmã? Seria estranho no começo, mas jamais impediria nada entre eles, pelo contrário daria a maior força. Bem espero conseguir provar a Helena as minhas suspeitas sobre Matthew, e quem sabe eles não se acertam depois disso.
Deixando esses pensamentos de lado, levanto-me e vou direto para o banho. A água quente ajuda a aliviar a tensão acumulada e me preparar para o dia agitado que tenho pela frente. Após me vestir com uma camisa azul-clara e uma calça preta impecável, desço para a cozinha e preparo um café da manhã simples, mas nutritivo: um smoothie de frutas e uma torrada com abacate.
Enquanto saboreio o café da manhã, reviso mentalmente a minha agenda. Tenho uma reunião importante com um novo cliente, interessado em lançar um produto inovador. Sei que essa pode ser uma grande oportunidade para a empresa e estou determinado a dar o meu melhor.
Com o café da manhã terminado, peguei a minha maleta e saio de casa, desço até a garagem e entro no meu carro. A caminho do escritório, tento afastar os pensamentos sobre o encontro com a garota, mas a curiosidade é inevitável. Quem será essa garota? Será que se adaptará bem ao papel? E, acima de tudo, será capaz de lidar com a pressão de fingir ser minha namorada?
Chegando à empresa, cumprimento os funcionários que passam por mim, e subo para minha sala, deixo as minhas coisas ao lado, e me sento revisando a apresentação que a minha equipe fará. Cheguei à sala de reuniões e cumprimentei todos os presentes. Os minutos passam rapidamente e logo estou imerso em uma apresentação detalhada sobre as estratégias de marketing que poderiam alavancar o lançamento do produto.
A reunião é um sucesso. O cliente parece entusiasmado com as ideias apresentadas e fechamos o contrato, prometendo uma parceria frutífera. Sinto uma onda de satisfação, sabendo que esse é um passo importante para a empresa.
Depois de uma tarde cheia de compromissos e reuniões, o expediente finalmente chega ao fim. Agora com a mente voltada para o encontro com a garota, volto para o meu escritório, tentando acalmar os nervos. Sei que Noah chegará em breve com a candidata e estou ansioso para ver se a escolha dele realmente atenderá às minhas expectativas.
Pouco depois das seis da tarde, ouço uma batida na porta e Noah entra, seguido por uma jovem de cabelos ruivos. Levanto-me para cumprimentá-los, porém quando os meus olhos encontram os da garota, ambos falamos ao mesmo tempo.
- Você? – dizemos juntos, surpresos.
É a garota que derramou café em mim no outro dia. Ela parece igualmente surpresa ao me ver.
- Vocês já se conhecem? – pergunta Noah, intrigado.
- Digamos que… tivemos um encontro acidental. – respondo tentando conter um sorriso.
Noah ainda nos olha intrigado e então continuo.
- Aquele dia que fui ao seu escritório falar sobre o casamento da Helena, quando estava saindo do elevador, ela… – apontei para garota ruiva. – Esbarrou em mim derramando todo o café que ela carregava em cima de mim. – Noah assente.
- Foi um acidente! – diz ela, na defensiva. – Até me ofereci para pagar a lavagem da roupa, mas você foi um ogro.
Sinto uma onda de ironia tomar conta de mim.
- Que coincidência agradável, você ser logo a garota que Noah traria. – digo, sarcástico.
- Sim, realmente. – ela responde, com o mesmo tom.
- Bem, vamos começar. – digo gesticulando para que ela se sente.
Ela se senta, cruzando os braços, e a ironia continua no ar.
- Então qual é essa proposta misteriosa? – pergunta a garota que ainda não sei o seu nome, diretamente para mim.
Troco um olhar com Noah, que assentiu, me dando o sinal para explicar.
- Antes de mais nada. Qual o seu nome? – pergunto, pois a necessidade de saber o nome dela é gritante.
Ela me olha, e suspira descruzando os braços.
- Mia, Mia Carter. – ela diz, e o nome combina com ela.
- Prazer Mia, eu sou Ethan Colle. – na mesma hora a garota arregala os olhos.
- Você é o dono da Colle & Co? – ela diz ainda visivelmente chocada.
- Sim, sou eu. Mas podemos voltar ao assunto. – ela assente, demonstrando constrangimento. – Mia, a proposta é um pouco fora do comum. Preciso de alguém para fingir ser minha namorada por um período. – começo, tentando parecer o mais sério possível.
Ela me olha por um momento, os olhos verdes se estreitando.
- Você está brincando, certo? – ela pergunta, incrédula.
- Não, não estou. – respondo, firme.
- Então vocês dois me chamaram aqui para isso? Para ser uma namorada de aluguel? – a ofensa é clara na voz dela. – Dr. Noah, o senhor disse que isso não envolveria prostituição e nem nada ilegal. – agora ou que arregalo os meus olhos em surpresa, do que essa garota está falando.
- Mia, não é nada disso. – Noah fala. – É uma situação complicada. – mas ela se levanta, claramente ofendida.
- Eu não acredito que perdi o meu tempo com isso. – diz ela, pegando as suas coisas e se dirigindo a porta. – Boa sorte com o seu… problema Ethan.
Ela sai do escritório, deixando Noah e eu para trás, em um silêncio constrangedor.
- Isso foi… inesperado. – digo, finalmente. – E o que ela quis dizer com prostituição? – pergunto.
Noah conta que quando comentou que ele precisaria da ajuda dela para algo, ela já teve uma ideia errada, como se fosse algo ilegal, como tráfico de órgãos ou prostitiuçõa, algo que fosse ferir a integridade dela, então quando falei sobre ser a minha namorada de aluguel, ela associou a isso. Essa garota tem uma imaginação e tanto.
- Eu sabia que ela iria reagir assim. – Noah, suspira. – mas acredite, ela é a melhor pessoa para isso. Vou conversar com ela, explicar melhor a situação.
- Você acha que ela vai aceitar depois disso? pergunto, duvidoso.
- Tenho certeza que sim, Mia é sozinha, e precisa do dinheiro. – Noah responde, confiante. – Deixe isso comigo. Vou resolver.
Assinto, tentando confiar nas palavras dele. Antes de Noah sair do escritório, faço um alerta:
- Não conte a ela toda a história que envolve o acidente. Não quero que ela saiba sobre isso.
Noah assente.
- Eu sei Ethan. Apenas o necessário para convencê-la.
Nos despedimos e Noah sai para falar com Mia. Fico no escritório, refletindo sobre a coincidência de ela ser a mesma garota que derramou o café em mim. Agora sei o seu nome:
- Mia. – repito o nome em voz baixa, saboreando a sonoridade nos meus lábios.
Arrumo as minhas coisas e desço para garagem para pegar o carro. Antes de ir para casa, decidi parar em frente à praia. A noite está tranquila, e a brisa do mar sempre me ajudou a pensar.
Deixando o carro no estacionamento, caminho até a areia e me sento, sentindo a textura suave sob as mãos. O som das ondas quebrando na praia é um calmante natural, e observo o horizonte enquanto os meus pensamentos vagam.
A praia à noite tem uma magia especial. As estrelas brilham no céu claro, e a lua lança um brilho prateado sobre a água. O cheiro salgado do mar me enche os pulmões, trazendo uma sensação de paz que poucas coisas conseguem proporcionar.
Enquanto estou sentado ali, penso em Mia. A reação dela foi inesperada, porém, compreensível. A ideia de ser uma namorada de aluguel não é exatamente atraente. Mesmo assim, há algo nela que me intriga. Talvez seja a maneira como ela enfrentou a situação, sem hesitar em expressar a sua indignação.
Fecho os olhos por um momento, deixando o som das ondas e o cheiro do mar preencherem os meus sentidos. Sei que estou tomando um caminho complicado, abro os olhos e observo a imensidão do oceano. A noite é longa, mas o mar me lembra que, assim como as ondas, a vida tem os seus altos e baixos. E, no fim, tudo se ajeita.
Levanto-me e volto para o carro, sentindo-me um pouco mais calmo e centrado. Amanhã é um novo dia, e com Noah cuidando da situação com Mia, tenho esperança de que tudo vai dar certo.