Capítulo 8

1299 Palavras
Ethan Colle Depois que Noah me ligou informando que Mia tinha aceitado, senti um alívio inesperado. Marcamos de nos encontrar novamente após o expediente no escritório para discutir os detalhes e formalizar o acordo. No fundo, estava curioso para saber mais sobre a garota ruiva. Enquanto processava essa novidade, o meu telefone tocou novamente. Era Helena. Ao ouvir a voz dela, um sorriso involuntário surgiu no meu rosto. - Ei, Ethan! – ela começou. – Estou chegando hoje. Poderíamos jantar juntos? - Claro, Helena. Será apenas nós dois? – pergunto, para não ter surpresas no jantar. - Sim, só nós dois. – ela diz. – Estou com saudades, irmão. - Eu também estou com saudades, Lena. Vai ser ótimo te ver. – digo com um sorriso. Desde que os nossos pais morreram, assumi a responsabilidade de cuidar de Helena. Ela sempre foi a minha prioridade, e momentos como esse me lembravam o quanto eu amava a minha irmã. Passei o resto do dia imerso no trabalho. A equipe de elaboração de marketing estava a todo o vapor, pois tínhamos um grande projeto para entregar até sexta-feira. Cada segundo contava, e a pressão estava alta. Tive várias reuniões, analisei estratégias e revisei propostas. O ritmo frenético ajudou a manter a minha mente ocupada, porém, de vez em quando, a imagem de Mia surgia, me fazendo lembrar do encontro que se aproximava. Quando finalmente o expediente chegou ao fim, uma mistura de cansaço e ansiedade tomou conta de mim. Estava terminando de revisar alguns documentos quando recebi uma mensagem de Noah. Noah: Estamos chegando. Respirei fundo, tentando me preparar para a reunião. Levantei-me da mesa, esticando os músculos cansados, e olhei pela janela do escritório. A vista da cidade ao entardecer sempre me trouxe uma sensação de tranquilidade. Peguei uma garrafa de água e tomei alguns goles, tentando acalmar os nervos. Poucos minutos depois, ouvi uma batida na porta e Noah entrou com Mia. Ao vê-la a ironia da situação não passou despercebida: a garota desastrada que derramou café em mim, agora seria a minha namorada falsa, era muita coincidência, ela ser justamente a garota por qual eu fiquei curioso saber mais sobre. Balanço a cabeça para dissipar os pensamentos. - Boa noite, Ethan. – disse Noah com um sorriso. – Vamos começar? - Boa noite, Mia. – cumprimentei-a com um aceno de cabeça. Nos sentamos ao redor da mesa de reuniões que eu tinha na minha sala, para reuniões mais privadas. Noah abriu a pasta com os contratos. Enquanto ele explicava os termos, Mia parecia nervosa, não a julgava, pois era uma situação um tanto peculiar. Conforme Noah ia falando sobres as cláusulas, observei pela minha visão periférica o quanto isso deixava Mia desconfortável, e quando Noah chegou na parte onde precisaríamos mostrar um pouco de i********e um com ou outro, Mia se manifestou. - Quero deixar claro que não haverá toques desnecessários. – disse Mia, com firmeza. – Apenas quando estivermos em público e quando for absolutamente necessário. Assenti, respietando seus limites. Noa continuo. - Para que isso funcione, vocês dois precisam se conhecer bem. Saber o que cada um gosta e não gosta, criar uma história de como se conheceram. As pessoas vão questionar, principalmente a sua irmã, Helena. – disse olhando diretamente para mim. – Então é importante que estejam alinhados. Eu entendia exatamente, e Helena seria a primeira a questionar como eu e Mia nos conhecemos, e começamos a namorar, eu teria que ser convincente, pois desde que Vitória terminou comigo, e ficou com Vincent, que ela não me via com mulher nenhuma. Óbvio que eu não virei nenhum celibatário, tinha os meus encontros casuais. Mia e eu trocamos um olhar de entendimento. Sabíamos que a situação era complicada, porém, ambos tínhamos os nossos motivos para fazer funcionar. - Mia, se houver algo que você não esteja de acordo, por favor, me avise. – disse tentando tranquilizá-la. – Não quero que se sinta pressionada para nada. Ela assentiu, parecendo um pouco mais relaxada. - Tudo bem. Precisamos estabelecer algumas coisas básicas então. Como nos conhecemos? – perguntou Mia, olhando para Noah e depois para mim. Noah sugeriu algumas ideias e começamos a construir uma narrativa plausível. Decidimos que nos conhecemos em um evento, através de um amigo em comum, que seria Noah, e que começamos a nos ver com frequência desde então. Compartilhamos alguns interesses em comum, como cinema e caminhadas na praia, para tornar a história mais verídica. - É importante também que vocês tenham alguns encontros “reais”. – Noah disse, usando aspas. – Para se familiarizarem um com o outro. – sugeriu. – Assim, quando estiverem em público, a interação será mais natural. Mia concordou com a cabeça. - Certo. Podemos começar com algo simples, como um jantar. – sugeri. - Tudo bem. Vamos fazer isso. – Mia concordou, tentando parecer o mais natural possível. Com tudo acertado, Noah começou a preparar os documentos finais. Enquanto isso, Mia e eu trocamos informações pessoais. O começo foi estranho, mas aos pouco a tensão foi se dissipando. Quando terminamos, Mia parecia um pouco menos nervosa. Noah se levantou, sinalizando o fim da reunião. - Ótimo, pessoal. Eu cuidarei do restante e aviso quando tudo estiver pronto. – disse Noah, sorrindo. Quando Noah e Mia estavam prestes a sair, Noah parou de repente, como se estivesse se lembrado de algo importante. - Ah, Mia, quase me esqueci de falar sobre a questão do pagamento. Qual seria o valor justo para você? Mia hesitou por um momento antes de responder, olhando diretamente para mim. - Eu só quero o suficiente para cobrir a minha hipoteca. Nada mais, nada menos. Fiquei surpreso com a resposta dela. Era um pedido modesto, considerando a situação. - Eu posso pagar mais, Mia. Não há necessidade de você se limitar ao valor da hipoteca. – ofereci, genuinamente querendo compensá-la de forma justa. Ela balançou a cabeça firme. - Não, Ethan. Eu só quero o valor da hipoteca. Nada mais. Noah e eu trocamos um olhar, e ele deu de ombros. - Tudo bem, Mia. Vamos incluir isso no contrato. – disse Noah, anotando a informação. Agradeci a Mia pela honestidade e integridade, era um traço admirável e, de certo modo, aumentava a minha confiança no sucesso desse arranjo. No final, Noah tinha razão em ter total confiança em Mia, e ela demonstrava isso. Mia e Noah foram embora, e fiz o mesmo. Arrumei as minhas coisas e saí do escritório. No caminho, parei em um restaurante à beira-mar, onde Helena e eu costumávamos ir quando éramos mais jovens. A vista do oceano sempre trazia boas memórias e um sentimento de paz. Cheguei antes dela e reservei uma mesa com vista para o mar. Pouco depois, Helena chegou, radiante como sempre. Levantei-me para abraçá-la, sentindo uma onda de nostalgia e carinho. - Ethan, estou tão feliz em te ver! – disse ela, sorrindo. - Eu também, Helena. Estava com saudades. – respondi, puxando a cadeira para ela se sentar. Passamos o jantar conversando sobre a vida. Embora estivesse preocupado com Mia e toda a farsa que estava prestes a começar. Estar com Helena me trouxe um pouco de tranquilidade. Contei para ela que estava “namorando”, e Helena já se mostrou ansiosa e feliz por mim, e já deixou claro que queria conhecer a “minha namorada” o quanto antes, a única parte dessa farsa que me deixava m*l, era mentir para minha irmã. Depois do jantar, nos despedimos, e prometi que o próximo jantar levaria Mia para ela conhecer. Enquanto dirigia de volta para casa, fiquei pensando em como era r**m mentir para Helena, espero que um dia eu possa contar sobre essa farsa toda, e ela não fique chateada. Magoar Helena era última coisa que queria.
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