O projeto de Vitor consistia em petróleo, pré sal, nesse ramo. Ele tinha um sonho, para o projeto ser mais social do que capitalista. O investimento foi milionário, mas depois de 5 anos, estava rendendo 9 vezes mais do que o valor investido, por ano! E em uma crescente avassaladora! Há dois anos atrás, deu um boom, o mercado começou a enxergar ele, e lógico que os capitalistas não aceitavam que ele fizesse uma distribuição de renda favorável aos prestadores de serviço.
Todo mundo queria morder uma fatia generosa desse bolo, e os pobres que se ferrassem! E Vitor manteve sua postura do início e não cedia.
Antes de eu voltar para casa, minha amiga e conselheira Evelyn, me avisou de uma jogada dos acionistas para forçar Vitor a ceder: iam todos disponibilizar suas ações! Com isso, o valor das ações despencaria e os 51% dele não iriam valer nada, ele teria que disponibilizar as ações dele no mercado ou abrir seu capital pra manter.
Abrir o capital seria um risco que nenhum acionista nunca quer correr, porque seria abrir falência imediata se a queda continuasse. Então era certo que ele disponibilizaria algumas das suas ações, e assim, perderia o status de acionista majoritário, e os capitalistas venceriam sobre ele!
Meu papel seria ajudar nessa fase, mas Evelyn era minha guru e me ajudou a chegar na posição que estou hoje. E eu sempre tinha informações privilegiadas que usava para galgar meu sucesso. Eu cheguei ontem a noite, só disse para meu avô que hoje a gente conversava e fui me curar do jet lag. Acordei às oito da manhã com meu telefone tocando insistente. Era Evelyn com a solução. Mas meu avô não me deixou sair imediatamente, sem tomar café. E depois mandou eu ir tomar banho e tirar o pijama!
Tinha me esquecido que aqui no Brasil temos mania de banhos, coisa de dois por dia se não tiver muito calor! Lá no Canadá isso não é nada assim. Outra coisa que é muito natural por lá é a gente sair de casa de pijama, ir no mercado do jeito que acordamos, ir buscar o jornal sem nem escovar os dentes…
Voltando àquela manhã absurda, ouvi o interlocutor de Vitor dando a notícia e ele mandando vender.
— Espere! Não venda!
— O que?
— Por favor, acredite em mim. Daqui a alguns minutos, o Oriente Médio vai anunciar o fechamento das fronteiras.
— Se eles fossem fazer isso, eu saberia. Minha equipe é especializada em informações do Oriente Médio! E o que você entende dos meus negócios? Você é semi analfabeta, pobretona que trabalhava ilegal no exterior.
Antes que eu pudesse responder, vi Tarcísio passando a pé pelo hall do estacionamento privativo da diretoria. Olhei meu relógio e percebi que estava atrasada para meu encontro com minha sogra Úrsula e meu noivo.
— Por favor, não venda. Só aguarde mais alguns minutos. Se não houver o anúncio, aí você faz o que quiser! Eu não posso me casar com você, mas posso salvar seu projeto!
Deixei Vitor me olhando boquiaberto com o telefone na mão e saí, rumo ao café, m***r a saudade de Tarcísio…