Porque Casar

848 Palavras
Foi difícil não contar para minha mãe, mais difícil ainda foi descobrir que meu pai me mandou estudar fora pra conseguir comer minha noiva. Meu ódio era tremendo! É lógico que eu terminei o noivado e saí de casa. Meu pai me convenceu que o escândalo iria destruir minha mãe, e ela não merecia. Depois que a raiva passou, consigo entender a lógica dele. Mas avisei pra ele afastar minha mãe dela, se não eu contaria. E isso foi muito difícil. Minha mãe sempre adorou Celine, mesmo quando éramos crianças e ela ficava correndo pela casa só de calcinha, nem p****s tinha! E pensar que meu pai começou a desejar a menina desde essa época, torna tudo ainda mais nojento! Mas não era da minha conta! Parei de frequentar a casa da minha mãe e ela vem em meu apartamento uma vez por semana me visitar e dar ordens na empregada. Lourdes foi minha babá, está com a gente desde sempre e agora ela cuida do meu apartamento, que eu comprei com o meu dinheiro. O investimento do meu pai já devolvi e só não larguei a empresa dele, porque é patrimônio meieiro entre ele e minha mãe, que são casados em separação total de bens. Tudo que eles têm, já é dividido assim que eles adquirem. Eu acho um método divino, e acho que meu pai só não largou minha mãe e foi viver com Celine ou qualquer outra sirigaita, porque ela é dona de metade das coisas dele! Quero nem pensar quantos irmãos tenho pela cidade… Claro que há muito tempo, caí na esbórnia! Fecho casas noturnas inteiras para mim. Gosto de discrição, de variedade e de não me envolver com ninguém! Vou no puteiro, como quem eu quero, pago e vou embora! Sem DR, sem traição, sem envolvimento. Também gosto de umas duas ou três baladas privadas que tem na cidade. Máscaras são obrigatórias e se alguém tirar, é convidado a se retirar do recinto. Assim, ninguém sabe quem pegou quem, e isso é ótimo! Pouco falo com meu pai, apenas assuntos de negócios. Eu não o perdoo. Não só pela traição, mas pelo que faz com minha mãe! Sou um solteiro convicto e ninguém vai mudar o que eu quero pra mim, mas ele entrou em minha sala sem ser convidado na semana passada: — Sua mãe está doente. É terminal. — Você quem envenenou ela? Porque até semana passada, ela estava muito bem quando me visitou. — Já chega, Vitor! Chega de rebeldia, chega de agir como moleque! Ela pediu pra eu falar com você. Ela quer que você volte pra casa até ela fechar os olhos! — Mas nem fodendo vou viver com você! — É o desejo de sua mãe, Vitor. E eu a amo mais que tudo, faço qualquer coisa por ela. Se você está impondo a ela que escolha entre eu ou você, eu saio de casa pra você viver com ela. — E vai morar com Celine ou outra v*******a que você come? — Você não sabe de nada, moleque. Eu te fiz um favor, tirando aquela interesseira do seu pé! Fui visitar minha mãe, e fiquei chocado com tantas revelações: — Você acha que eu não sei que seu pai tem casos extraconjugal? Eu sempre soube, aliás, eu quem incentivei, ou então ele estaria casto há mais de 15 anos. — Casto? Porque? — Porque eu traía seu pai! Sempre, com vários homens! Porque você acha que eu divido nosso patrimônio, Vitor? Porque quando ele se cansasse e metesse o pé em mim, com razão, eu não ia ficar com uma mão na frente, outra atrás! Há 15 anos, um dos meus parceiros fixos morreu de complicações da AIDS. Eu fiz o teste e me descobri soropositivo. Contei para o seu pai e nunca mais quis arriscar passar essa doença maldita pra ele, então vivemos como amigos. Seu pai precisa se aliviar… — Mãe, eu não estou entendendo porque o papai disse que você está morrendo. Com todos os tratamentos para HIV existentes, 95% dos tratados estão em estado indetectável! Ninguém que é tratado morre mais nos dias de hoje! — Eu demorei muito para ter a coragem de testar, depois de começar a tratar. Já estava imunodeficiente. Desenvolvi alguns tumores. Agora estou indetectável, mas os tumores já estavam lá. Estou tratando, mas um em meu estômago já está em estágio 4. Chorei, esperniei, mas não tem o que fazer. Agora minha mãe só precisa de conforto para morrer. Perguntei o que ela queria de mim: — Que você se case com Celine e venham morar aqui em casa até eu partir. — Isso não. De jeito nenhum! — Vai negar um pedido a uma moribunda? — Vou sim, porque eu vou me casar. Minha noiva chega no Brasil na semana que vem. — Antes do jantar? — Sim, vou ao jantar acompanhado dela. — Ótimo. Não pense que me engana. Celine vai estar nesse jantar e um juiz de paz também! Se não estiver devidamente casado, você se casa com ela e vem morar aqui comigo!
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