Você é obrigada a obedecer

1438 Palavras
Charlote olhou para a roupa cuidadosamente dobrada sobre o sofá. O vestido escuro, em contraste com o seu estilo habitual, parecia um estranho em sua vida. As sacolas ainda estavam frescas em sua memória, entregues a ela momentos atrás. Ela nunca tinha sido uma pessoa que se importava muito com moda ou aparência, mas aquele vestido representava algo mais sinistro do que uma simples mudança de guarda-roupa. Um suspiro profundo escapou dos lábios de Charlote enquanto seus olhos escuros vagavam pelo pequeno apartamento. Tudo era silencioso, exceto pelo tic-tac monótono do relógio na parede. O bilhete, agora amassado em sua mão, era sua única ligação com o mundo exterior, além do medo que a rodeava. O que aquele homem queria com ela? Dominik, o nome que ela m*l conseguia pronunciar sem um nó na garganta. O mero pensamento de estar envolvida com alguém tão obscuro e perigoso a fazia estremecer. Era como uma prisão invisível, e Charlote estava começando a sentir a pressão sufocante de suas circunstâncias. Aos poucos, os traumas do passado surgiram em sua mente. Seus pais, agora falecidos, não puderam protegê-la dos eventos devastadores que ocorreram em Nova York. A vida que ela conhecia estava arruinada depois da bagunça que seu pai deixou para trás antes de partir deste mundo. A conexão entre seu pai e Dominik estava se tornando cada vez mais clara, uma teia de negócios obscuros que ameaçava engoli-la por completo. Charlote não conseguia evitar pensar em fugir. Ela sonhava com uma vida distante, longe das garras de Dominik e da sombra da máfia que ele representava. Mudar de cidade, de identidade, se fosse preciso. Ela faria qualquer coisa para escapar desse pesadelo crescente. O tempo passava lentamente, e a incerteza era sua única constante. O que ele faria a seguir? Charlote estava sozinha em seu apartamento, mas o perigo pairava como uma nuvem n***a sobre sua cabeça. As memórias de histórias sobre a crueldade dos mafiosos a assombravam, e ela sabia que não podia subestimar Dominik. A noite caía, e Charlote permanecia ali, esperando, temendo o que estava por vir. Ela não sabia o que esperar dele, mas uma coisa era certa em sua mente perturbada: vindo de um mafioso como Dominik, só podia ser o pior. A vida dela estava à mercê de forças sombrias e implacáveis, e seu destino parecia selado por um vestido escuro e uma nota amassada nas mãos trêmulas. "O que ele acha que eu vou fazer? Vestir isso?" Ela desabou no sofá, um turbilhão de pensamentos girando em sua mente, mas apenas uma ideia clara persistia: escapar das garras de Dominik. Charlote sempre foi perspicaz em situações difíceis, e naquele momento, a oportunidade estava à sua frente. Respirou profundamente, seu refúgio forçado naquele lugar já durava semanas, e agora, ela via uma saída. Não podia desperdiçar essa chance. Com determinação, pegou o vestido escuro que estava sobre o sofá e começou a se mover. Ela se considerava uma mulher que não desistia facilmente. Charlote sabia que a vida a havia colocado em uma situação difícil, mas estava disposta a lutar por sua liberdade. Quando entrou no quarto e olhou para o espelho, uma onda de desconforto a inundou. Ela não se reconhecia na figura refletida. O vestido que usava era, aos olhos de algumas pessoas, sensual e provocante, mas para Charlote, era apenas vulgar. Seus s***s pareciam mais destacados do que o habitual, e o tecido ajustado realçava suas curvas de maneira que ela não apreciava. "Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto!", exclamou em voz alta, quase como um desabafo. No entanto, antes que pudesse compreender o significado da situação, uma voz grave e sensual surgiu no quarto, fazendo-a dar um pulo de surpresa. Dominik estava parado na porta do quarto, uma figura imponente e perigosa. Seu coração disparou com o susto, enquanto o olhar do mafioso fixava-se nela, criando uma tensão palpável no ar. Charlote se viu encurralada, seu plano de fuga interrompido abruptamente pela presença ameaçadora de Dominik. "O que faz aqui?!" A camisa social escura dobrada até o antebraço e o porte imponente dele. Os olhos vagavam pelo corpo da jovem sem temor. Era carne fresca. "Você ficou muito bem de preto." "Qual o seu problema? Não pode entrar assim sem ser anunciado ou como um fantasma!" "Eu tenho as chaves." Ele entrou no quarto, gostava da forma que ela era organizada. Era a segunda vez ali com ela. Era dia de colocar aquele corpinho bonito pra fazer algo de útil. "O que significa isso?" Charlote perguntou, com um tom de desafio em sua voz, referindo-se ao vestido que segurava. Dominik, com sua expressão imperturbável, respondeu calmamente: "Bem, hoje você vai em uma festa comigo. Minhas festas são sempre repletas de garotas bonitas e atraentes. E agora, você é uma delas. Eu pensei em como colocar você em algo mais adequado, mas ainda não decidi." A indignação transbordou nas palavras de Charlote. "Eu não vou ser uma boneca da máfia! Você está louco? Acha que pode me obrigar a usar esse vestido? Meu Deus, qual é o seu problema?!" A recusa dela não foi bem recebida. Dominik podia facilmente colocá-la em qualquer lugar, mas ele via mais potencial em Charlote. O rosto dela já era um recurso valioso o suficiente, e ele estava determinado a usá-lo em seu benefício. A tensão entre eles aumentou à medida que suas vontades se chocavam, criando uma atmosfera carregada no quarto. Dominik deu um passo adiante, suas feições endurecendo ainda mais. "Você não entende, Charlote. Na nossa linha de trabalho, todos têm um papel a desempenhar. O seu será importante. Você só precisa confiar em mim." Charlote permaneceu firme, sua determinação inabalada. "Eu não sou uma v***a!" "Eu sei disso, por isso eu mesma estou aqui pra buscá-la. Você pode perceber que eu não sou um monstro." Ele parou na frente dela. Os olhos fixos nela e na forma que o vestido era mais bonito nela do que em um manequim de loja. Parecia uma fruta proibida. Talvez usá-la como boneca não fosse uma boa ideia, ainda mais quando o produto que ela parecia ser era de primeira. Havia elegância. Céus, Charles e a mulher haviam tido uma filha gostosa demais pra deixar solta assim. Ele se sentiu atraído nela, nas curvas e no corpo magro e jovem. Talvez fosse um instinto novo surgindo pela jovem garota. "Me deixe ir embora, por favor." "Sabe que agora isso não é possível." "Se você me der uma chance eu sumo de Nova York e desapreço." "Não." "O que foi que eu fiz pra você?!" "Alguns acham que não, mas sabia que carregamos sempre as dívidas dos nossos pais, Charlote?" "Por favor, não faz isso. Eu não aguento mais ficar presa aqui e com a minha vida parada. Eu tenho um futuro pra fazer e não tenho mais ninguém além de mim pra fazê-lo acontecer. Eu... Eu te peço, me deixa ir embora." Dominik viu as súplicas. Mas aquilo não era nada pra ele. " A reposta é não." Ele ergueu a mão, e antes que Charlote conseguisse esquivar-se, a mão dele fechou-se firmemente em sua mandíbula. Seus olhos se encontraram, uma troca intensa e carregada de tensão. "Me solta," ela murmurou, sua voz repleta de desafio. "Eu já disse que você é minha. Você vai fazer tudo o que eu mandar e da maneira que eu mandar. Salvei você de ser presa pelo seu pai e de ser morta por outras pessoas. Não deveria apenas agradecer?", ele declarou, sua voz firme, mas tingida de um certo cinismo. "Você está arruinando minha vida," Charlote respondeu com amargura. "Você pode arruinar sua vida sozinha se não aceitar o que eu digo. Quem sabe, se você se comportar, eu não permita que você vá embora? Então, o que me diz, Charlote?" Ela sentiu a manipulação naquele momento e ansiou por estar longe dali. A oportunidade para escapar parecia estar ao alcance de suas mãos. "Eu vou com você," ela finalmente concordou, cedendo à pressão e à ameaça que pairava sobre ela. Mas, com um plano na cabeça pra se livrar daquele homem e nunca mais aparecer na frente dele. Ela sabia que ele não era boa coisa e não queria alguém assim perto dela. Dominik cheirava perigo. Dominik soltou o rosto dela, seus olhos ainda fixos nela enquanto avaliava a expressão de Charlote. Ele viu o medo misturado com determinação em seus olhos, e aquilo lhe agradou. "Ótimo," ele disse, satisfeito com a decisão dela. O destino de Charlote estava selado, e ela estava prestes a mergulhar mais fundo no mundo sombrio da máfia ao lado de Dominik.
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