Capítulo 31 Antonella narrando Malu tava daquele jeito: podre de bêbada e ainda falando do Medrado. Eu só fingia que ouvia, mas minha paciência tava no limite. Ela não largava o osso desse fantasma, como se o mundo dela tivesse parado no momento em que ele morreu. Depois de um tempo, ela deu no pé. Me deixou ali no baile sozinha, o que, pra ser bem sincera, era até melhor. Acendi um baseado, puxei uma tragada longa e fiquei observando o baile. Era bom sentir a fumaça preencher meus pulmões e dar aquela sensação de controle. Tava tudo tão barulhento, mas eu já não ouvia mais nada, só meu próprio silêncio. Até que vejo Nolasco se aproximando. Ele vinha daquele jeito que me irritava: seguro, arrogante, como se fosse dono do pedaço. Eu o encarei de frente, sem demonstrar nada. — Ain

