Capítulo 35 Antonella narrando Caminho com passos firmes até a boca. A tensão no ar é quase palpável, e cada olhar que recebo parece mais afiado do que uma faca. Encontro Salve encostado na parede, com um cigarro apagado pendendo no canto da boca. Assim que ele me vê, o rosto dele se fecha. — Sua maluca, o que você tá fazendo aqui? — ele dispara, sem rodeios. — Tá ligado que tá todo mundo de olho na gente, né? Depois daquele cara morto... E até agora eu não entendi como ele foi parar naquela situação. — Não fui eu — rebato, com a voz firme, tentando esconder qualquer vestígio de nervosismo. Salve ri seco, um som que mais parece um tapa na cara. — Foi você sim, Antonella. Eu te conheço muito bem. — Ele cruza os braços, me encarando com uma expressão que mistura raiva e decepção.

