Antonella narrando Saindo da penitenciária, olho para os lados com cuidado, driblando os vapores como quem já sabe o caminho. Chamo um táxi e sigo direto pro cemitério. No caminho, compro umas flores. Meu peito já tá apertado, mas segui firme. Quando chego lá, paro diante do túmulo onde estão enterrados os três e coloco uma flor pra cada um. Respiro fundo, tentando segurar a onda. — Não achei que te encontraria aqui — ouço uma voz familiar. Levanto o rosto e dou de cara com a minha mãe. Ela me encara com aquele olhar frio. — Antonella — diz, como se meu nome fosse um veneno na boca dela. — Faz anos que não te vejo. — A última vez que fui te visitar, a senhora deixou bem claro que não me considera sua filha. Ela balança a cabeça e solta o golpe que já tava esperando: — A morte

