ANTONELA NARRANDO Eu pego a insulina do frigobar e já sinto aquele friozinho na barriga. O vidro parece mais pesado do que de costume, e eu nem sei mais se é pela insegurança ou pelo meu corpo já dando sinais de cansaço. Sinto a mão tremer quando aperto a agulha contra minha pele. A dorzinha na barriga até me distrai por uns segundos. Olho no espelho e vejo que estou pálida, o rosto quase esquelético. Se eu demorar mais, vou acabar indo parar no hospital. Minha visão começa a turvar, o suor escorre pelo meu rosto, e eu fico mais tensa. Era pra eu ter feito essa aplicação há horas, mas o medo, a falta de tempo, tudo isso me consumiu. Já tinha demorado o suficiente e agora só o que eu consigo sentir é o pânico de estar me deixando enfraquecer. Parece que tudo está desmoronando. Talvez, tal

