Capítulo 1

1040 Palavras
O som estridente do despertador ecoa por todo o quarto e Marina, já não aguentando mais o som incômodo em suas orelhas, se levanta rapidamente e alcança o botão que o desliga e vira para o canto com muita preguiça de se levantar, mas não era qualquer tipo de preguiça, há muitos e muitos dias, ela tem enfrentado sol quente e muito calor distribuindo currículos em busca de um emprego que a pague bem; formada em Direito, Marina está desempregada há 2 meses e não está nada contente de passar os dias quieta em casa com sua avó, dona Edith, que foi quem a criou, após a morte de seus pais. — Filha, você não vai se levantar? — Sua avó pergunta e Marina logo sente o peso dela se sentando ao seu lado na cama, mesmo estando com a cabeça coberta. Marina então descobre a cabeça e dá de cara com a sua avó a encarando, esperando que ela lhe diga alguma coisa. — Estou um pouco desanimada hoje, mãe. — diz Marina. Ela e a avó adotaram apelidos carinhosos uma com a outra, devido a tantos anos juntas, isso nunca mudou mesmo com a jovem já estando adulta e crescida. Marina já tem suas próprias conquistas devido a ser muito boa no que faz, antes de ser dispensada para cortes de orçamento, ela recebia muito bem e graças a isso conseguiu comprar um apartamento melhor pra ela e a avó morarem, e também tem o seu carro, um HB20 branco. — Ah, filha, eu sei que está difícil encontrar empregos ultimamente…então você não acha que seria bom investir em cursos para complementar o seu currículo de alguma forma? — A avó sugere. — É uma boa ideia, mãe. — Marina diz assim que se levanta, sorrindo e considerando fazer exatamente o que dona Edith falou. — Vou fazer exatamente isso. Então Marina se levanta da cama deixando seu desânimo de lado depois de sua avó motivá-la, como sempre fazia, e vai em direção ao banheiro. Ela primeiramente lava seu rosto, depois escova os dentes e solta seu cabelo o penteado e juntando em um coque frouxo já que não ia sair dali tão cedo. — Vem mãe, vamos tomar nosso café da manhã. — Marina diz saindo do banheiro toda sorridente. — Vamos. — Sua avó diz já se levantando da cama e as duas seguem juntas para a cozinha. Chegando lá, Marina pôde ver que sua avó já havia passado o café, então ela logo foi colocando a mesa e foi preparar os pães de misto quente para ela e sua avó. Assim que a sanduicheira apita, avisando que os pães estão prontos, Marina os tira de lá com cuidado para não se queimar e os coloca em pratos separados, entregando um para sua avó, que pega, ao mesmo tempo, em que está servindo café em duas xícaras para ambas. — Eu lembro quando sua mãe perdeu o emprego, ela passou por um longo período depressivo, em casa, só comia e dormia. Mas eu não vou deixar isso acontecer com você. — dona Edith diz, tomando um gole do seu café, com uma expressão tranquila no rosto. Por outro lado, Marina deixou seus pensamentos vaguearem ao se lembrar dos pais, no fundo, se perguntava se eles estivessem vivos, se sentiriam orgulho dela, de todas as conquistas que ela havia adquirido nesses anos. “Era o dia da sua formatura quando tudo aconteceu. Ela estava tão animada e radiante naquele dia, mas um atentado aconteceu no teatro onde estava sendo realizada a formatura. Uma professora tinha sido alertada sobre o ataque e conseguiu tirar todos os formandos de lá, mas os convidados, por outro lado, não sabiam de nada e a matança foi generalizada, levando assim, os pais de Marina tão de repente.” Marina sem querer começa a chorar, e logo é tirada de seus pensamentos pela sua avó. — É uma pena que eles não estão mais aqui. — diz a avó tomada pelo sentimento de tristeza também. — Sim. Será que eles teriam orgulho de mim? — pergunta olhando para a avó, e secando os olhos. — Com toda certeza querida. — Sua avó disse, e pegou em sua mão para confortá-la. — Sabe também o que pode te ajudar nesse momento? — O quê? — pergunta Marina. — Acho que você deveria pensar em fazer aulas de meditação também. — Sim, é uma boa. Obrigada pelas suas dicas, mãe. — Marina diz. Assim, elas ficam sentadas uma de frente para a outra e terminam de tomar seu café juntas, em silêncio. Depois disso, a avó de Marina vai para a frente da televisão com sua agulha e linha de crochê, pois já estava na hora do programa favorito dela começar, onde ela aprendia e aprimorava suas habilidades. Por outro lado, Marina pega seu notebook na mesinha e vai para seu quarto, onde tem mais privacidade, e começa a pesquisar sobre cursos complementares que são ligados à sua formação. E então um curso que ela nunca havia visto antes, chama a sua atenção, um curso relacionado a Direito Digital, e então ela começou a pesquisar muito bem sobre aquele assunto para poder ter certeza de tudo e só depois pôde se inscrever no curso. Ela vai até sua pequena cômoda de cabeceira e pegou um caderno e uma caneta para poder anotar todas as informações do curso, ela apertou o play e deu início ao curso. Alguns minutos depois, sua avó foi até lá, apenas para ver se ela havia encontrado algo que fosse interessante. — E aí, filha, conseguiu encontrar alguma coisa interessante? Algum curso que te chamou a atenção. — Dona Edith perguntou parada na porta. — Sim, mãe. Eu achei um sobre Direito digital, nunca tinha ouvido falar sobre. Nisso, o telefone de Marina tocou, e logo ela viu o nome de Lívia na tela. Ela pausa a vídeo-aula e atende a ligação. — Oi amiga, tudo bem? — pergunta Marina, assim que atende sua amiga. — Ah, mais ou menos. — respondeu. — E você? — Ah, também estou bem mais ou menos, minha situação está complicada. Será que a gente poderia se encontrar naquela cafeteria de sempre? — pergunta Lívia.
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