James
Puxei a cadeira de couro preto e sentei-me atrás da mesa, atraído por um momento pela grande janela que dava para os picos arborizados da Eagle Mountain. Com a chegada da primavera os picos foram despojados da cobertura de neve, deixando espaço para as primeiras águias abandonarem os seus ninhos em busca de alimento.
Eu tinha feito o mesmo. Eu havia abandonado minha matilha, vagando rio abaixo depois de quase dois anos de isolamento na floresta, passados treinando novos recrutas. Tal como as águias, eu também tinha fome de carne fresca para me saciar: precisava de companhia.
Além disso, embora contra a minha vontade, tive que confiar à matilha a tarefa de manter as fronteiras do meu território monitoradas e protegidas. Confiei neles, mas o guarda florestal, Sargento Molloy, fez acordos apenas comigo e eu não poderia ter designado nenhum dos meus homens para atualizar e assinar os acordos feitos no passado. Esta também foi a razão pela qual tive que descer ao vale.
Os humanos não tinham permissão para caminhar naquele trecho de montanha há pelo menos trinta anos e os estudiosos que entravam naquelas florestas eram sempre acompanhados por guias especializados treinados diretamente pelo sargento Malloy.
Amigo de longa data do meu avô e depois do meu pai, ele era o único humano que sabia da existência de lobisomens e graças à sua posição como guarda florestal ele nos permitiu viver nossa existência sem humanos se misturando entre nós. As consequências teriam sido desastrosas. Para os humanos, é isso.
— Irmão. - Dimitri entrou em meu escritório, dando uma leve batida na porta entreaberta.
Eu pulei e abri os braços, recebendo-o em um abraço de camaradagem. Eu não o via há muito tempo, mas suas feições permaneciam praticamente idênticas, um sinal de que ele havia compartilhado a cama com um humano.
— Quem é ela? - perguntei cúmplice.
— Uma garçonete. - ele dispensou com um encolher de ombros. — Nada de excepcional. Mas eu estava começando a envelhecer e não podia ser muito exigente. O que não pode ser dito sobre você. - ele riu, apontando o dedo para minha testa.
Levantei os olhos, como se ao fazê-lo pudesse de alguma forma ver as duas rugas que apareceram nos últimos seis meses.
— Não há humanos lá em cima na floresta. - expliquei.
— Se você continuar a não f********o com um humano, daqui a cinco anos você parecerá ter noventa anos.
Dimitri estava certo. O que nos manteve fortes, lobisomens, foi a excitação das mulheres humanas. Ela penetrou em nossas células, renovando-as e interrompendo todo o processo de envelhecimento. O problema é que na maioria das vezes os abraços não terminaram bem.
A força de um lobo não podia ser canalizada ou subjugada durante o acasalamento, ele rugia até se tornar o mestre absoluto de nossas ações, guiando-nos com uma luxúria animalesca que nos fazia parecer feras reais, em vez de doces e amantes respeitosos.
Suspirei e olhei de volta para a grande janela. Senti falta do ar livre, dos espaços amplos e do vento no rosto.
— Não é com o envelhecimento que me preocupo.
Dimitri assentiu e afundou na cadeira em frente à mesa. Com um amplo gesto do braço ele me convidou a sentar.
— Eu sei o que te preocupa. Na lua cheia de outubro você terá trinta anos. Sua data de validade. E aposto que você não encontrou sua companheira. - concluiu ele com um sorriso malicioso.
Um sorriso que não gostei nada, considerando o nosso passado. Sua natureza predatória excedia em muito a minha e ele tentou muitas vezes, no passado, me envolver em suas noites de sexo e álcool. Não que eu tivesse algo contra o álcool... eram os humanos que me irritavam. Chatos, previsíveis, prontos para ceder assim que você lhes oferecer um olhar um pouco sujo, mais intenso. Os humanos não tinham habilidade para serem caçados e em sua sociedade inverteram os papéis, transformando os homens em presas. O que, entre outras coisas, era impensável para um Alfa aceitar.
Eu nunca havia levado um humano para uma cama de verdade, preferindo os banheiros de alguma boate ou os fundos de algum motel, e raramente descobria seus primeiros nomes. O nome era a última coisa que eu queria saber sobre um humano. Roubei seu líquido quente de excitação no menor tempo possível, tentando não deixar nenhum vestígio de minha passagem em seus corpos, para que se esquecessem de mim e pudessem desaparecer sem problemas.
Eles pensavam que eram caçadores, mas continuavam sendo presas, prontos para reclamar se você não lhes oferecesse seu coração também.
Inevitavelmente, o rosto da garotinha que conheci no corredor voltou à minha mente. Ela era pequena, não só em estatura, mas também em idade. Ela devia ter uns vinte anos. No máximo vinte e dois. Sem qualquer lógica perguntei-lhe o nome dela e com menos lógica ainda convidei-a para se juntar a mim no meu escritório. Mas o que minha cabeça estava me dizendo?
— Você parece absolutamente certo de que não encontrei minha companheira. - tentei tirá-lo do caminho. Eu não queria me encontrar na situação de ter que recusar seu convite para encontrar um humano naqueles lugares fedorentos que ele adorava frequentar.
— Estou porque por nenhuma outra razão você teria abandonado a matilha.
— Eu queria verificar a situação na cidade. - menti.
— Estou na cidade. - ele respondeu obviamente. — Sou muito melhor treinado do que você para se misturar com humanos e garantir que ninguém tome conhecimento de nossa existência. Logo... você está aqui porque o calor está prestes a começar e você precisa encontrar uma parceira.
Eu olhei para ele. O que foi?
— O que faz você pensar que vou encontrá-la na cidade? Só existem humanos aqui.
O sorriso malicioso de Dimitri se transformou em um sorriso. Ele fechou os olhos e cheirou o ar. — Você já encontrou.
Também senti o cheiro do ar, mas não percebi nada.
— Você não consegue sentir seu próprio cheiro. - ele instruiu.
— Qual é o cheiro do meu cheiro?
— Tem cheiro de gérberas.
— Não. - comecei a rir. Ao me levantar, bati na mesa e alguns papéis caíram no chão. — Não fale besteira. Estou aqui há meia hora e não encontrei nenhum lobisomem.
Dimitri fungou novamente, esticando o pescoço em minha direção. — Aromas de gérberas recém cuspidas.
Cerrei os dentes e olhei para ele. — Se eu tivesse tido um imprinting eu teria notado, não acha?
— Seu perfume é inconfundível. Sinto o cheiro a dois metros de distância. Você tem gosto de gérberas. A sala inteira está repleta. E a gérbera é o símbolo da impressão.
— Tem lobisomens aqui? Eh? - perdi a paciência. — Diga-me. Existe algum?
— Não que eu saiba.
— Então tapa a p***a do nariz porque sinto que é um fracasso. - p**a merda, ele ficou olhando!
As portas automáticas do elevador rangeram, quebrando a tensão. Concentrados um no outro, sentimos a chegada de alguém com pouca margem de antecipação. Com um aceno de cabeça, Dimitri ordenou que eu cobrisse a boca e eu rapidamente levantei os olhos para o final do corredor.
Ainda não conseguíamos ver quem era, mas só tivemos que farejar uma vez para descobrir.
— Isso Brooke. - Dimitri anunciou.
Sem que eu percebesse, peguei o abridor de cartas e coloquei-o na garganta dele. Desconcertado com meu gesto, passei o olhar entre os olhos de meu irmão e a arma improvisada cerca de dez vezes. Afastei minha mão e deixei cair o peso de papel. Que p***a eu estava fazendo?
— Perdoe-me. - sussurrei me desculpando. Sério, o que havia de errado comigo?
Dimitri se acomodou melhor na cadeira, abrindo os braços no encosto e cruzando as pernas com um gesto atrevido, quase irônico. — Ai, ai! Mais do que o cheiro das gérberas, sinto o cheiro das laranjeiras.
Balancei a cabeça, irritado. — Pare de ser i****a.
Uma batida na porta, ainda entreaberta, revelou a presença da menina. Sua sombra se estendia pelos azulejos brilhantes, em direção à minha, e era tão pequena que foi quase completamente engolida por ela.
— Oi, Brooke. - Dimitri cumprimentou, girando em sua cadeira para olhar para ela. — Venha, venha, sente-se.
— Bom dia senhor Dimitri. - ela deu um sorriso tímido que desapareceu assim que olhou para mim. — Sr. Farrow, espero não estar atrasada, mas o cliente da Vanity Fair chegou e reservei um momento para mostrar a ele os gráficos mais recentes.
— Já chegou? - bufou Dimitri, esticando as pernas envolto em um terno de alta costura. — É melhor eu me juntar a ele então. Terei que ter uma reunião com vocês, anunciantes, mais tarde.
— Vou avisar os outros. - Brooke assentiu.
— Sente-se. - apontei para a cadeira que Dimitri tinha acabado de desocupar.
Ela esperou Dimitri sair da sala e procrastinou por um momento, olhando para a cadeira como se fosse uma cadeira de tortura.
— Devo fechar a porta, Sr. Farrow? - a timidez em sua voz era quase irreal.
— Não é necessário.
— Ah. - ela pareceu surpresa e permaneceu com a mão na maçaneta por um momento antes de decidir dar alguns passos em direção à mesa.
O que ela achou? Por que ela estava tão chateada? Eu estudo cada movimento dela, tentando descobrir o que se passava em sua cabeça, mas não estava acostumado a lidar com humanos ou mesmo com mulheres tão tímidas.
Assim que a ponta do seu sapato escorregou um metro para longe de mim, fui atingido por um cheiro intenso e doce, completamente inesperado para uma mulher da sua idade. Somente virgens usavam esse tipo de perfume. Apertei a ponta do nariz e tentei não notar.
— Um primeiro encontro improvável, você não acha? - comentei. Não, sério, por que Cristo cheirava a virgem?
A garotinha assentiu, olhando para mim por um momento. Então seus olhos voltaram para as mãos que ela havia entrelaçado nas coxas.
Ela usava um vestido verde, apertado na cintura por uma faixa amarela que combinava com seus sapatos brilhantes de salto modesto. O vestido clássico que se encontra na feira da ladra mas com um corte que nunca sai de moda. Servia perfeitamente e não permitia que o tecido cobrisse completamente os joelhos.
— Eu não te chamei para te repreender, então você poderia, por favor, começar a respirar de novo? - tentei definir minha voz em um tom bem-humorado.
Seus ombros subiram com uma respiração mais profunda do que as anteriores. — Devo-lhe desculpas completas, Sr. Farrow. Eu não queria ser rude. Entrei em pânico quando Connor me lembrou de um trabalho que eu não tinha terminado. Não era minha função fazer isso, então isso me passou pela cabeça. Geralmente sou muito precisa e pontual. O Sr. Dimitri pode confirmar isso para você.
Dentro do meu peito senti uma sensação de opressão, como se meus pulmões estivessem entupidos. De repente, peguei novamente o abridor de cartas e foi só graças a um lampejo de clareza que consegui não jogá-lo no batente da porta. Agarrei a alça com raiva e senti o metal dobrar e se ajustar aos nós dos meus dedos. Por que me incomodou tanto ouvi-la falar sobre Dimitri?
— Você e Dimitri colaboram com frequência? - perguntei. Tive que usar um tom furioso porque a vi estremecer em reação às minhas palavras.
Ela parecia ter uma ligação estranha comigo. Tudo o que eu fazia ou dizia, fosse um olhar mais severo ou um simples movimento do pulso para ajustar o relógio, desencadeou nela uma série de reações que ela nem se preocupou em esconder.
Era um livro aberto... escrito em aramaico, infelizmente.
— Ele é meu chefe. - ela respondeu com sua vozinha insegura. Ela parecia ter medo de ser repreendida a qualquer momento e eu distraidamente me perguntei se Dimitri se comportava de maneira rude com os funcionários.
— Então? - que tipo de resposta foi essa?
Becky mordeu o lábio e olhou para mim por uma fração de segundo. — Dimitri cuida da parte administrativa, estabelece os orçamentos das campanhas enquanto eu faço parte da equipe de publicidade. Precisamos de recursos para montar e concluir qualquer projeto, por isso tanto a parte administrativa quanto a criativa colaboram lado a lado.
Esfreguei meu rosto e engoli, superada novamente por uma onda repentina de seu cheiro. Ela se limitou a tirar uma mecha de cabelo da testa e ainda assim esse movimento liberou um vórtice irresistível de perfume no ar que me envolvia.
Santo Deus! Como Dimitri resistiu todos os dias? Tempo todo?
Apertei os olhos e prendi a respiração. Senti minhas íris queimando, um sinal de que elas estavam mudando, ficando vermelhas.
— Você está se sentindo bem? - sua vozinha novamente, semelhante à de uma mulher na puberdade.
Balancei a cabeça e soltei a respiração presa. — Uma simples dor de cabeça.
— Posso trazer um pouco de água se você quiser. Ou um café.
— Não é necessário. - Relaxei os músculos das costas e usei o bom senso para recuperar o controle total de minhas ações. Meus olhos pararam de arder e ousei levantar as pálpebras.
Minha visão era normal, eu via exatamente como um humano, nem mais, nem menos. Finalmente me permiti respirar fundo, mas para ter cuidado movi a cadeira para trás, encostando-a na parede e me colocando a uma distância segura daquela mulher.
— Então, vamos voltar ao assunto. Minha presença lhe causa algum incômodo? - Eu tinha usado meu clássico tom áspero novamente, o mesmo tom que normalmente fazia os novos recrutas da matilha tremerem.
E a julgar pela maneira como Becky torcia as mãos, isso a fazia tremer também.
— Sr. Farrow, peço desculpas novamente. Primeiro falei sem pensar. Sua presença não me incomoda em nada. Talvez...
— Talvez? - pressionei ela. Vamos ouvir...
— Isso me deixa um pouco curiosa.
— Fundei esta empresa há dois anos. Por que minha presença deveria intrigar você?
— Então digamos que fiquei mais intrigada pelo fato de você nunca ter aparecido até agora.
— Eu tinha compromissos. - respondi evasivamente, certo de que ele nunca teria coragem de investigar mais a fundo. — E então Dimitri é um excelente braço direito.
— Sìm.
— Sim, o que? - eu rosnei. O tom ameaçador da minha voz me fez estremecer. A b***a se contorceu, implacável, pronta para sair e me transformar.
— Isso, um excelente... braço direito. - gaguejou ele, afundando os ombros no encosto do banco.
Ela não conseguia entender o motivo da minha raiva. Até eu tive dificuldade em entender isso. Não, na verdade eu não estava mais entendendo nada.
— A partir deste momento você vai trabalhar comigo e para mim, entendeu? - especifiquei.
— Você está me dando uma promoção?
Havia tanto espanto em sua voz que quase me doeu ter que decepcioná-la. — Quero que você trabalhe comigo por outros motivos.
— E quais?
Mas p**a merda! Quantas perguntas essa garotinha fez?
— Você é um anunciante, certo? Bem, eu sou fotógrafo. Preciso da equipe ao meu lado nas próximas campanhas. - inventei aos poucos.
Eu teria até inventado que as gazelas podiam voar só para mantê-la longe de Dimitri. E sem dúvida, esse foi um pensamento que me deixou louco de raiva. Agi como se tivesse direito sobre ela, o que era ilógico, já que ela era apenas humana.
Então forcei meus olhos, estudei minhas próximas palavras e tentei captar sua reação: — De agora em diante, serei apenas eu quem terá contato com Dimitri. Eu estabelecerei o orçamento da promoção.
A reação que eu temia, felizmente, não chegou. Para ser honesto, não houve reação alguma. Ela recebeu a notícia como se eu praticamente nunca tivesse dito uma palavra. Seria possível que não fizesse diferença para ela trabalhar comigo ou com Dimitri? Éramos iguais para ela? A fera dentro de mim se acalmou instantaneamente, retraindo as garras.
Minha! A voz da Fera gritou dentro da minha cabeça e por um momento quase fiquei tentado a cair na gargalhada.
Mas não vamos falar besteira, por favor.
— Ainda está aqui? - Dimitri colocou a cabeça pela porta e entrou sem esperar pela minha permissão. Ele vasculhou sua mesa até encontrar um gráfico e estudou-o por alguns segundos. — Cliente pesado, mas se tudo correr bem podemos garantir três anos de trabalho. Aqui está! O gráfico que você solicitou.
Então ele olhou para Brooke e inclinou a cabeça, franzindo a testa. — Está tudo bem?
— Certamente, Sh. Dimitri.
O tom que ele usou foi grave e tão inacreditável que o levou a se virar interrogativamente para mim.
— Encontrei Brooke. - expliquei.
Dimitri piscou e eu vi seu pomo de adão subir e descer. Ele sabia o verdadeiro significado das minhas palavras e por mais que tentasse fingir indiferença, não pôde deixar de parecer chocado. Caramba! Fiquei chocado também.
Ele balançou a cabeça em negação, tentando se comunicar comigo sem usar palavras. Eu sabia o que ele estava tentando me dizer, mas a sorte estava lançada. Eu não poderia me opor à impressão. Eu poderia fingir que não reconhecia, poderia atrasar o momento em que contaria à garota o que havia acontecido, mas certamente não poderia evitar ou afastar.
Me senti sufocado por um sentimento de raiva misturado com medo. O pânico se liberou com a violência de uma onda de choque, gerando um vórtice perfumado que atravessou o espaço que me separava de Dimitri. Eu o vi estremecer.
Ele balançou a cabeça novamente, seus olhos selvagens nunca deixando os meus, e por um momento tive vontade de gritar e destruir o prédio inteiro. O que eu teria feito se este humano não estivesse presente.
— Bem, eu deveria ter esperado mudanças. - Dimitri finalmente comentou, virando-se como um autômato para a mulher que estava nos encarando em rigoroso silêncio. Em seu rosto delicado ele leu que não tinha ideia do que estávamos dizendo nas entrelinhas e se acalmou.
— Estou com você em todas as decisões, você sabe. - ele continuou, sem tirar os olhos dela.
— Dimitri. - eu avisei com os dentes cerrados. Já era hora de ele tirar aqueles malditos olhos dela.
— Em termos de trabalho, não há problema, vamos ser claros. - continuou ele, lutando para manter a calma, com a voz estridente.
— Dimitri. - Meu peito vibrou com um grunhido. Ele fez isso de propósito, pelo amor de Deus? — Cuidado comigo.
Dimitri acordou num piscar de olhos e se virou, só agora percebendo o que tinha feito. Ele involuntariamente lançou um desafio para mim, descansando seus olhos por mais de alguns segundos na fêmea Alfa. No entanto, eu não teria aceitado.
Embora eu soubesse que ele era constantemente movido pelo desejo de rivalizar com um estábulo inteiro de garanhões, também sabia que ele nunca me desrespeitaria. Ele era o braço direito que todo Alfa sonhava ter; fiel, mas não submisso. Capaz de ouvir, mas também de tomar decisões. Eu teria dado minha vida por ele e somente por ele, e Dimitri teria feito o mesmo.
A razão pela qual ele observava Brooke mais do que deveria era simplesmente porque ela era humana. E que eu tinha uma impressão nela em vez de uma lobisomem fêmea. Condenação!
— Vou terminar com o cliente e vamos almoçar, ok? - ele me convidou, tentando me manter calmo.
Balancei a cabeça e caminhei em direção à janela. Mesmo que eu não pudesse ver minha matilha, eu sabia que eles estavam todos lá agora, escondidos em nossa base, vivendo livres das algemas desta sociedade.
— Sr. Farrow? - ouvi a garotinha.
Eu olhei para ela por cima do ombro. — Diga-me, Brooke.
— Posso ir?
— Sim, por enquanto.
Ela me enviou um sorriso. — Adeus, Sr. Farrow.
— Adeus Becky.
E no momento em que a vi partir, meu coração partiu, batendo forte em uma tentativa desesperada de me manter vivo enquanto ganchos queimando como fogo aberto fincavam cada parte do meu corpo, congelando cada músculo esperando para vê-la novamente.