Capítulo 1

752 Palavras
O lençol de seda egípcia estava uma bagunça sobre a cama king-size. No ar, aquele rastro típico de sexo, suor e um perfume caro que parecia impregnar as paredes do vigésimo andar. Ao meu lado, ela cujo nome eu precisava de um esforço extra para lembrar, talvez Chloe ou Claire respirava fundo, com o peito subindo e descendo naquele ritmo de quem acabou de experimentar o ápice. Ela era impecável. O tipo de perfeição que o dinheiro e o sobrenome de um herdeiro atraem sem que seja necessário qualquer esforço real. Trazer uma mulher como ela para o meu apartamento no Upper East Side foi uma tarefa puramente mecânica. Um olhar mais demorado no lounge certo, um sorriso de canto e a chave da Mercedes sobre o balcão de mármore. Elas sempre vêm. Elas sempre querem fazer parte do mundo de um Aidan Vance. E ela manda bem, preciso admitir. Teve movimentos precisos, entrega e uma audácia que faria qualquer cara implorar por mais. Eu me certifiquei de que ela chegasse lá, é uma questão de honra, ou talvez de ego. Eu gosto de ser o melhor em tudo o que faço, e isso inclui garantir que quem ocupe minha cama saia convencida de que viveu a melhor noite da sua vida. — Isso foi... surreal, Aidan. Ela sussurrou, com a voz rouca, antes de levantar e caminhar em direção ao banheiro de mármore. — Eu sei,você foi incrível. Respondi, usando meu melhor tom de voz e o sorriso que eu já tinha decorado. Ouvi o som da água caindo na banheira. Assim que a porta se fechou, meu sorriso desmoronou no mesmo instante. A mentira de ouro. Eu estava exausto, mas não do jeito certo. Meu corpo relaxou no colchão, mas minha mente continuava a mil, gritando a verdade que eu tentava abafar com luxo: eu fingi de novo. Mais uma vez, performei o clímax perfeito, os gemidos na hora certa e o jeito de segurar o quadril dela. Tudo para que ela se sentisse a mulher mais desejada do mundo. Mas por dentro? Um vazio gelado. Nada. Eu tenho vinte e oito anos e possuo tudo o que o dinheiro pode comprar. O sobrenome Vance abre portas que a maioria nem sabe que existem. Tenho o físico, os carros e o respeito do mercado. Mas a satisfação completa é o único luxo que meu saldo bancário não consegue pagar. O motivo tem nome, data e uma cena que nenhuma terapia de quinhentos dólares a hora conseguiu apagar. Tudo volta para aquela tarde, treze anos atrás. Eu era um adolescente de quinze anos, tentando provar uma coragem que eu não tinha. Não foi em um lugar bonito, mas na penumbra fria de um prédio abandonado, um esqueleto de concreto onde o que eu fiz e o que permiti que acontecesse se tornou minha prisão perpétua. A culpa é um parasita que se alimenta de qualquer rastro de prazer. Eu tentei de tudo. Mulheres lindas, modelos, intelectuais. Tentei até homens uma vez, em um momento de desespero por sentir qualquer coisa. Foi um lance rápido em um clube privativo. O resultado? Pior. Uma apatia que beirava o desânimo, não pelo ato, mas por saber que nem aquilo preenchia o buraco que eu mesmo cavei. O preço daquela tarde no prédio abandonado é esse: ser o amante perfeito para esconder o homem oco que me tornei. A porta do banheiro abriu, liberando uma névoa quente com cheiro de sândalo. Ela estava parada no batente, a pele úmida brilhando sob a luz, nua e totalmente à vontade. O olhar dela era de quem queria mais uma rodada. — A água está ótima, Aidan. Ela disse, inclinando a cabeça de um jeito que ela achava irresistível. — Mas a banheira é grande demais para uma pessoa só. Vem? Senti o peso do cansaço mental, mas o "personagem" assumiu o controle. Eu nunca negaria isso a ela. Não n**o prazer a ninguém que esteja na minha cama, é a minha forma de pagar a pena. Ser o mestre da satisfação alheia é a única máscara que me resta. Joguei o lençol para o lado e levantei, deixando que ela visse o corpo que eu esculpia como se fosse uma armadura. — Você é insaciável. Falei, forçando um brilho de desejo nos olhos enquanto ia na direção dela. Eu iria. Faria meu papel com perfeição. Faria ela gritar meu nome novamente. E, no fim das contas, eu continuaria sendo o único ali a não sentir absolutamente nada.
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