NOEMÍ : O tempo na prisão, parecia não passar nunca. A sensação que eu tinha, era que naquele lugar, havia uma força sobrenatural na qual comandava o tempo, que parecia estacionar, a fim de nos castigar ainda mais. Depois que mostrei que poderia ser uma nova pessoa lá dentro, que comecei a trabalhar nos projetos sociais da prisão, as surras que as "donas" do setor me davam ficaram menos frequentes, e eu pude atuar como professora, e até arrisquei ensinar um pouco de inglês básico para as detentas também. Aprendi a cozinhar, a limpar o chão, lavar banheiros (coisa que nunca havia feito na vida, pois sempre tive quem fizesse isso em casa), e eram essas coisas que ajudavam a me distrair um pouco, e fugir daquela realidade. Não era dia de visita, quando o carcereiro junto de um policial

