A Ruby é uma garota muito linda, sempre foi dona de uma beleza tão angelical, de um rosto e um corpo de modelo. A medusa, a megera dos olhos verdes que hipnotiza todos os homens por onde passa, que a chamam de p**a mas que no fundo adorariam poder tocar em pelo menos um fio de cabelo dela.
A Ruby chama a atenção de qualquer pessoa quando passa, e sempre tive a certeza de que maioria dessas garotas mimadas que a excluíam, colocavam o pé na frente para ela cair, bagunçavam as coisas dela e a chamavam de v***a, todas sentiam pura inveja.
Uma coisa que eu não poderia negar é que ela é intrigante, e chama atenção sem sequer ter o objetivo.
Se eu era um covarde? Sim, eu fui. Estava sempre admirando aquela garota de longe, curioso para saber qual o perfume que ela usava, se a pele era macia, se o abraço aperta o suficiente ou se um beijo dela encaixa certinho.
Aquelas garotas ao meu redor não me interessavam, eu não sabia dizer o porquê, talvez por serem muito chatas e mimadas. Por não enxergar as que estavam à disposição, eu acabei enxergando a que não estava.
Cada dia que passava eu sentia que ela acumulava raiva de todas aquelas pessoas, sentia que para ela, todos queriam o m*l dela e talvez na cabeça dela, eu também quisesse.
A Ruby me olhava com raiva, com ódio. Eu queria me aproximar, mas ela fazia questão de não deixar nenhuma brecha. Talvez achasse que a minha intenção fosse igual a dos outros, a rebaixar.
Pelos corredores eu a via desfilando, andando chamando atenção e ganhando olhares. De longe e de perto é a criatura mais linda que já vi na minha vida, não me conformava com os cochichos que ela causava, cochichos desrespeitosos.
Não que eu não seja rico, mas não sou mimado. Não como aquelas pessoas, que antes de sequer alcançarem o acelerador, os pais já estavam comprando os carros mais raros do mundo, carros que só haviam dez iguais no mundo.
Haviam centenas de alunos naquela escola, os que se acham os galãs, as patricinhas, os inteligentes mimados, e todos eles iguais. Mas tinha a Ruby, ela se destacava, ela era uma espécie variada em meio todas aquelas pessoas.
Era sorridente. O seu olhar era tão esperançoso, até brilhava, os olhos se destacavam de longe e os cabelos morenos ondulados volumosos também se destacavam, em meio aquelas loiras que usavam shampoo com ouro em pó adicionado, Ruby era especial, tinha algo único que era só dela.
Meu tempo é muito valioso para ficar cuidando da vida dos outros, mas isso nunca me impediu de observar ela.
Há anos atrás em uma aula prática o professor de educação física pediu para que nos separássemos em duplas, devia ser uma aula de ginástica, yoga, eu não vou lembrar, mas o que importa é que precisávamos nos separar em duplas.
Não preciso mencionar que de todos aqueles alunos, a Ruby foi a única a ficar sozinha.
Nesse dia eu sequer estiva afim de participar da aula, o professor deixou que ficássemos sentados na bancada e eu escolhi ficar sentado. Mas parecia um imã, meu corpo sendo puxado e atraído para ela, era minha chance de tocar nela.
Meu corpo queria, mas minha consciência não. Entre esses dois, quem ganha? O desejo ou o racional?
— Está faltando uma pessoa, mais ninguém quer participar mesmo? — O professor questionou para nós que estávamos sentados nas arquibancadas.
Eu estava respirando fundo, as mãos trêmulas, olhando para as costas da Ruby e percebendo que ela estava de cabeça baixa porque sabia que ninguém iria fazer esse favor de ir participar apenas para dar essa força para ela.
— Eu vou. — Me voluntariei e caminhei até estar atrás dela, ela me olhou por cima do ombro por alguns segundos com um olhar que eu não soube decifrar qual era o significado.
— Ótimo. — O professor então deu continuidade. — Vocês vão segurar a pessoa da frente a virar o tronco na horizontal, se apoiando em uma perna só, enquanto estende a outra no ar.
Eu estava tendo a visão dela de cima, podia ver ela tão de perto, mesmo sendo de costas eu ainda a tinha perto.
Meu peito tocou suas costas quando eu me aproximei obedecendo o comando da aula, mas ela deu uma passo à frente, não queria que eu a tocasse.
Fiquei imóvel, eu não iria forçar nada, se ela não queria que eu a tocasse então eu não ia tocar.
Mas depois de uns segundos e depois de suspirar fundo ela deu alguns passos para trás e gesticulou tentar virar o tronco para o lado.
Deslizei minhas mãos sobre os seus ombros até chegarem em sua cintura, olhei para os lados e vi os garotos segurarem as garotas pelo tronco enquanto elas esticavam um dos braços e uma das pernas.
Apoiei a mão no interior da coxa dela, nada demais, mas o contato era diferente. Firme, enérgico, estremecedor, quente… era elétrico.
Ela estava encostando em mim, não era proposital, mas meus nervos estavam brigando entre si, meu corpo inteiro estava estremecendo. Fechei os os olhos por alguns segundos, respirei fundo me sentindo até mesmo zonzo.
A Ruby de relance olhou para mim, enquanto eu não conseguia desviar o olhar para a minha própria mão apoiada na coxa dela e então finalmente a olhei nos olhos.
Os olhos verdes, olhos idênticos a um rio, me afogando neles, sentindo a falta de ar, a simulação do afogamento.
Então ela desviou o olhar e voltou a olhar para frente, não voltando a me olhar nos olhos mais nenhuma única vez, como se sentisse repudia e indiferença.
Esse jeitinho dela era intrigante, de ignorar tudo, de só seguir em frente e não explodir com qualquer coisa. Sentia que ela tinha potencial, não quis me envolver, eu sentia, eu queria, mas sempre deixava para depois, até o dia em que ela cansou, mudou de escola e eu nunca mais a vi.