Assim que pus os pés na escola, o mundo ao meu redor parecia seguir seu ritmo habitual: adolescentes se arrastando pelos corredores, conversas altas demais, armários abrindo e fechando, livros caindo no chão com estalos secos. Mas eu só conseguia pensar numa coisa. Ou melhor, numa pessoa. Emily. Fazia semanas que a gente m*l se falava. A amizade que antes era quase um reflexo natural — mensagens trocadas antes do café da manhã, risos abafados durante as aulas, confissões sussurradas no banheiro — tinha se dissolvido em uma distância incômoda desde que ela começou a sair com o John, o baixista da banda do Samuel. E lá estava ela. No corredor central, de frente pro armário, mexendo nos livros com a mesma concentração que sempre teve. O cabelo amarrado num coque bagunçado, as pontas do cad

