O sol da manhã invadia timidamente a biblioteca da mansão Ferraz, onde Lara ajeitava os livros que Edmundo havia pedido que organizasse. Entre as estantes antigas, a jovem sentia o peso do silêncio, tão diferente do barulho vibrante da favela que ela chamava de casa. Edmundo observava cada movimento, satisfeito com a dedicação da moça que crescia diante de seus olhos como uma promessa. Lara não era apenas uma funcionária, muito menos uma sombra a mais na casa. Ela estava se tornando, para ele, um símbolo de resistência e dignidade. — Você tem talento para isso, Lara — disse Edmundo, com a voz rouca, mas cheia de orgulho contido. — Organização, disciplina... Qualidades que faltam a muita gente por aqui. Lara sorriu, escondendo o nervosismo. Aquele era um mundo novo para ela, feito de cód

