A laje estava vazia. O vento da manhã passava frio pela pele, como se tentasse arrancar dela o que restava da noite anterior. Lara permanecia ali, sozinha, olhando o horizonte da favela, como se aquele céu nublado pudesse trazer de volta o homem que partira sem dizer nada. Inácio tinha ido embora com um beijo silencioso, um toque prolongado e o peso de uma despedida que nenhum dos dois teve coragem de nomear. Ela sentia o corpo ainda quente, marcado pela presença dele. Mas o coração? Esse estava gelado. Lara não sabia mais o que doía mais: a ausência, o amor ou a desgraça que parecia persegui-la desde o dia em que pisou naquele mundo de luxo e podridão. A verdade era que, mesmo que quisesse, ela jamais seria a mesma. O amor de Inácio tinha lhe mostrado o abismo entre quem ela era e quem

