A mansão Ferraz parecia um labirinto de silêncio naquela tarde cinzenta. Cada passo ecoava pelo corredor de mármore, como se a própria casa estivesse prendendo a respiração, aguardando o desenrolar de uma verdade que ameaçava despedaçar tudo que ela havia conhecido. Solange Ferraz estava em seu escritório, a expressão firme, porém tensa, enquanto aguardava a chegada do filho. O rosto dela, sempre impecável e controlado, carregava agora uma sombra de urgência. Ela sabia que aquele momento seria decisivo. Quando a porta se abriu, Inácio entrou, com o semblante fechado, tentando manter o equilíbrio entre a frieza que a família exigia e o turbilhão que se formava dentro de si. — Mãe — cumprimentou, com uma voz que tentava ser neutra, mas que denunciava a inquietação. Solange não perdeu tem

