CAPÍTULO 7

732 Palavras
Drake Colombo Alguns minutos depois, o carro finalmente começa a desacelerar. Mas, para meu espanto, ele para exatamente em frente ao prédio onde moro. Curioso… pensei, descendo do táxi após pagar a corrida, franzindo a testa. Cada passo meu ecoava na calçada silenciosa, e uma parte de mim já se irritava com a calma que a situação tentava impor. Não havia sinal dela. Nenhuma sombra, nenhum vestígio de passos apressados. Nada que indicasse que alguém havia passado por ali. Nada, exceto um pedaço de papel preso no para-brisa. O cheiro… um aroma adocicado, doce e ao mesmo tempo provocante, invadiu minhas narinas assim que abri a porta. Inconfundível. Ela. Minha ladra de carros maldita. Peguei o bilhete com mãos firmes, quase como se estivesse segurando um troféu de desafio, e li a letra cursiva e delicada, contrastando com a audácia do conteúdo: “Desculpe ter pegado o seu carro emprestado. Eu realmente precisava sair de uma situação complicada. Ele está intacto, mas provavelmente terá alguma multa de trânsito. Seu endereço estava salvo, então o carro decidiu me trazer até aqui. Mais uma vez, desculpe e nem pense em me cobrar, porque eu não tenho dinheiro… sou uma simples desempregada. Sinto muito.” Relendo, uma mistura de incredulidade e raiva explodiu em mim. Ela teve a audácia de pedir desculpas depois de me roubar e ainda se achar engraçada! Um sorriso involuntário surgiu, quase involuntário, enquanto a raiva fervia dentro de cada músculo do meu corpo. Olhei para o carro. Nenhum arranhão, nenhum amassado. Perfeitamente intacto. Um suspiro involuntário escapou, mas não apagou a fúria. Ela me fez correr, me colocou em alerta, me desafiou, e ainda assim… meu carro, meu território, permanecia intocado. Que audácia. Que insolência. Que mulher maldita. Minha mente não parava. Quem é essa mulher que ousa desafiar Drake Colombo, me roubar e ainda escrever um bilhete provocativo? Que tipo de desespero a fez agir assim? Segurei o papel com força, cada palavra pulsando na minha mente. “Não adianta me cobrar, não tenho dinheiro…” Cara de p*u é pouco! — Não se preocupe, querida — murmurei, a voz baixa, sarcástica, quase divertida. — Você vai me pagar… só ainda não sabe como. Entrei no prédio com passos firmes, subindo para o meu apartamento. Cada movimento calculado, cada detalhe observado. Antes mesmo de colocar o bilhete na mesa, liguei todos os monitores, redes de rastreamento, câmeras de trânsito, sensores de movimento. Cada tecnologia ao meu alcance. Nada. Nenhum sinal dela. Nenhuma conta, nenhum traço digital. Era como se tivesse evaporado. Frustração. Raiva. E, no meio disso tudo, uma pontada deliciosa de desafio que me fez sorrir torto. Bati o punho na mesa. — Ela realmente acha que pode brincar comigo? — resmunguei, o sarcasmo transbordando da voz. Cada palavra carregada de provocação e ameaça. Abri uma garrafa de uísque e servi um copo generoso, segurando-o com firmeza enquanto meus olhos vasculhavam as telas vazias. Cada pixel branco parecia zombar da minha incapacidade momentânea de encontrá-la. — Muito bem, querida ladra! — murmurei, inclinado na cadeira, o líquido queimando a garganta. — Ahhh... Você vai me pagar caro… eu vou colocar as mãos em você, pode apostar. Você acaba de desafiar a única pessoa que não deveria. O calor da bebida misturando-se à ansiedade, à frustração e, surpreendentemente, a um certo prazer. Ela me desafiou e depois desapareceu sem deixar rastros, mas todos deixam algum tipo de pista, mesmo que invisíveis a alguns olhos… pistas essas que eu encontrarei. Não importa quanto tempo fosse necessário. Minha mente girava, traçando possibilidades, recalculando rotas, imaginando cada esquina onde ela poderia aparecer. Cada detalhe que ela deixou para trás o bilhete, o cheiro, a confiança audaciosa... tudo era um convite. Um desafio. Um jogo perigoso. E eu adorava jogos. Principalmente quando o prêmio será a mulher que ousou me desafiar, me provocar e me intrigar ao mesmo tempo. Segurei o uísque com força, sentindo o calor percorrer meu corpo, e respirei fundo. Por mais que a raiva ardente ainda consumisse minhas veias, algo mais começava a surgir: curiosidade, fascínio. Um arrepio de antecipação. — Eu vou encontrá-la — disse em voz baixa, quase para mim mesmo. — E quando eu encontrá-la… vai desejar nunca ter cruzado meu caminho. E, enquanto observava os monitores vazios, sorri torto, saboreando a tensão, a adrenalina e o caos que ela havia deixado em minha vida. Continua...
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