Capítulo 72 BRENO NARRANDO A chuva começou do nada. Um minuto atrás o céu só estava esquisito, nublado daquele jeito que a gente já sabe que vai dar rüim. No seguinte parecia que alguém tinha virado uma caixa d'água inteira em cima do complexo. Eu estava na função, fazendo o último giro do plantão, garantindo que tudo tava no esquema, que ninguém ia dar trabalho, e que o morro tava blindado agora que a invasão tinha passado. Pardal ainda estava rüim, mas vivo. Guepardo? Possuído, como sempre. E eu cansado, mas tranquilo. Ou melhor quase tranquilo. Porque quando virei a esquina que dava na rua onde a Geiza vendia os doces dela vi o puro caos. A menina tava desesperada. O vento estava rasgando o toldinho dela de cima pra baixo, o carrinho quase tombando, os doces voando pra todo lado

