Capítulo 58 NALANDA NARRANDO A invasão tinha acabado e a notícia chegou pelas fofocas sussurradas das vizinhas na porta de casa. Aquelas conversas rápidas, baixas, que não eram pra ser ouvidas, mas que todo mundo escuta mesmo assim. — Levaram tiro. — O morro pegou fogo. — Dizem que Pardal foi atingido. Meu coração congelou na hora. Pardal? Logo ele? Não era possível. Ele sempre parecia invencível. Frio. Ríspido. Sempre de cara fechada, mas com um olhar que guardava alguma coisa ali dentro que ninguém mais via. Eu via. Talvez porque cresci aqui. Talvez porque notava coisas que ninguém prestava atenção. Talvez porque, sem querer admitir, eu já tinha desenvolvido um carinho silencioso por ele, mesmo ele nunca tendo me olhado duas vezes. Eu fechei a janela, fingindo indifere

