Capítulo 124 CECÍLIA NARRANDO Eu sempre soube quando algo estava errado com meu filho. Não era intuição de mãe romântica, dessas que aparecem em filme. Era coisa mais crua. Um peso no peito. Um silêncio que gritava. Um vazio estranho entre uma ligação e outra. Um intervalo longo demais sem notícia. Guepardo nunca foi de dar satisfação. Nunca foi de ligar para dizer onde estava, nem de mandar mensagem à toa. Mas existia um padrão. Sempre existiu. Mesmo quando ele sumia, mesmo quando estava no meio de guerra, no meio de operação, no meio do infernö… ele dava um sinal. Curto. Seco. Mas dava. Dessa vez, não. Fazia dias. Dias demais. O telefone em cima da mesa parecia me provocar. Eu pegava, desbloqueava, entrava na conversa com o nome dele salvo ali e nada. Nenhuma mensagem nova. Nenhum

