Capítulo 104 NALANDA NARRANDO O céu ainda estava escuro, mas já não era mais noite. Era aquele horário ingrato, silencioso demais pra ser madrugada, claro demais pra ser noite de verdade. O tipo de horário em que a culpa pesa mais, porque a gente sabe que fez algo escondido e que o tempo está correndo contra. Eu olhava para a janela do postinho tentando calcular quanto faltava para o dia clarear de vez. Pouco. Pouco demais. Meu estômago ainda estava embrulhado. A cabeça pesada. O corpo estranho, como se eu tivesse passado por algo maior do que conseguia entender. Não era só o efeito do que colocaram no meu refrigerante. Era o efeito da noite inteira. Do medo. Da confusão. Das escolhas. Eu precisava ir embora. Urgente. Antes que minha mãe acordasse. Antes que ela percebesse minha

