HELENA Já passava da meia-noite e eu estava caminhando sozinha pelas ruas, sem rumo, sem direção. Cada passo que eu dava parecia mais pesado do que o anterior. O peso dos olhares sobre mim era inevitável, como se todos soubessem o que aconteceu, como se eu fosse um livro aberto para todos lerem. Meus pés arrastavam no asfalto, e eu não me atrevia a levantar a cabeça. Eu não queria ver ninguém. Não queria enfrentar o mundo que me olhava com desprezo. Nem sabia pra onde estava indo, nem o que faria a seguir. Onde eu iria passar a noite? O que eu ia fazer agora, sem a minha mãe, sem a minha casa? A brisa fria da noite cortava meu corpo, e eu passei as mãos sobre meus braços, tentando me aquecer, mas tudo era inútil. A chuva começou fina, mas logo foi aumentando. Eu me abriguei no primeiro b

