A vila não mudou muito. As ruelas de pedra ainda guardam nosso riso, e o cheiro de pão fresco ainda invade as manhãs. Algumas janelas foram pintadas de verde. Outras, de azul mais claro. Mas o som do mar... esse é o mesmo. Vegas tem fios brancos nas têmporas agora. Eu também. Ele reclama das costas quando tenta podar as plantas. Eu rio dele e ele me xinga baixinho — com carinho, do jeito dele. Filo dorme mais do que antes. Agora, com quase quinze anos, virou o rei do sofá, da cama e da varanda. Tem dias que só ficamos sentados lado a lado, vendo o tempo passar. E mesmo assim, é suficiente. Temos um jardim que Vegas cuida com dedicação militar. Cada flor tem nome. E cada nome tem uma história — algumas são piadas internas, outras memórias de quem fomos. As crianças da vila nos chamam
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