O primeiro aniversário de Victor não era apenas uma festa infantil; era um manifesto. No Complexo, comemorar um ano de vida de um herdeiro é celebrar a sobrevivência. A quadra estava irreconhecível: balões azuis e dourados, um buffet que faria inveja a qualquer salão da Zona Sul e, claro, a segurança reforçada que transformava o entorno em uma fortaleza. Guilherme estava radiante. Pela primeira vez em muito tempo, ele não usava preto. Estava de camisa branca, as cicatrizes do rosto suavizadas por um sorriso que ele só reservava para mim e para o nosso filho. O Cobra, meu pai, circulava como um verdadeiro patriarca, cumprimentando desde os moradores mais antigos até os advogados que eu trouxera do asfalto. — Ele é a cara do pai, mas tem o olhar da avó — meu pai comentou, aproximando-se de

