PEDRO LEONEL Eu passei a mão pelo rosto e rodei a caneta em meus dedos, enquanto escutava um silêncio infernal na linha. Chato. Tedioso. – Senhor, consegui, o que vai querer que eu marque exatamente? – Eu olhei pra minha agenda, refletindo sobre o tempo que eu não vou ter, mas vou ter que ter. – Quero horário com a obstetra, por hora isso, pra próxima segunda, na parte da tarde. Evite compromissos pra mim ou tente. – Obstetra? – Houve uma pausa. – Bem, tudo bem senhor. Eu dou um sorriso. Acho que nem minha própria secretária poderia esperar por isso. Mas também não queria explicar pra alguma pessoa de fora disso tudo. – Ótimo, chego às dez. Desligo o telefone e me levanto com a agenda na mão, dessa vez e hora do celular, que puxo e disco o número de Lorenzo, mas paro, não co

