VERDADES DA MADRUGADA

938 Palavras

O carro cortava o asfalto molhado, com o som do motor baixo e o cheiro de gasolina misturado ao do sangue seco no pano do ombro de Marina. O silêncio entre os dois era pesado, o tipo que diz mais do que qualquer palavra. Espectro dirigia firme, os olhos fixos na estrada, sem olhar pra ela. O rosto estava tenso, o maxilar travado, o pensamento longe — provavelmente calculando dez passos à frente, como sempre fazia. Marina observava o reflexo dele no vidro. Tinha algo naquele homem que a deixava dividida: parte dela sentia medo, outra parte queria entender o que existia por trás daquela frieza. — A gente precisa conversar — ela disse, quebrando o silêncio. — Sobre o quê? — ele respondeu, sem tirar os olhos da pista. — Sobre o que a gente ouviu. Sobre o Carlinhos. Ele respirou fundo, pass

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