O galpão do Comando cheirava a café frio, pólvora e tensão. A lâmpada pendurada tremia leve, lançando sombras longas nas paredes. Caveira abriu a reunião com a voz curta, firme — do jeito que as coisas precisavam ser decididas ali dentro. Ninguém fazia piada. Traição entre homem e morro não se debate: se prova, resolve-se; se suspeita, protege-se. — A parada é simples — começou Caveira, sem rodeios. — Tem alguém passando o jogo. Queimamos um rato, mas o que aconteceu ontem, mostra que o problema é maior. Tem dedo dentro do pedaço. Eu não quero acusar ninguém sem prova. Quero pegar o cara com a mão na massa. Espectro encostou a selva da mão na mesa, os olhos afiados. O rosto dele não mostrava surpresa — só aquela calma cortante de sempre. — Eu pego o rato interno — disse. — Mas quer

