MADRUGADA

1068 Palavras

(Narrado pela autora) Saíram depois da meia-noite, quando a rua já tinha diminuído o ritmo e as poucas luzes pareciam mais nervosas do que confortáveis. Espectro dirigiu devagar, sentindo o volante como se fosse o leme de um barco que só ele sabia manejar. Marina no banco ao lado, com o lenço que ela pegou da bolsa enrolado nas mãos, os olhos vidrados na cidade que passava como filme antigo. — Pra onde a gente vai? — ela perguntou de leve, tentando não parecer assustada demais. — Um lugar longe do morro. — Ele respondeu curto. — Motel barato. Por algumas horas. Limpo, sem perguntas. Ela assentiu. Motel soava humilhante, sim, mas era melhor que barulho de tiro. Melhor que vigília na janela. Eles precisavam de um teto qualquer, quatro paredes que os deixassem existir por um instante se

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