Capítulo 21 MAYA NARRANDO Eu saí daquela sala sentindo que o chão não era firme o suficiente para me segurar. Minhas mãos tremiam tanto que eu precisei me encostar na parede do corredor para não cair. O frio do ar-condicionado, que antes me incomodava, agora parecia ter congelado as lágrimas que eu me recusava a deixar cair. Humilhação. Era a única palavra que ecoava na minha cabeça. Eu tinha me aberto. Eu tinha deixado o orgulho de lado e quase me entreguei para o homem que passa os dias me tratando como se eu fosse um estorvo. E ele me mandou sair. Como se eu fosse uma qualquer que ele chama para descarregar e joga fora quando o rádio toca. — Maya? — Ouvi a voz do Breno. Eu não respondi. Apenas continuei andando, acelerando o passo até sair da boca. Eu precisava de ar. Precisava de

