Eu o coloco na cama, e ele fala: "Papai, veja se tem monstros embaixo da minha cama". Para acalmá-lo, eu olho e vejo outro dele ali, assustado, me encarando e sussurrando: "Papai, tem alguém na minha cama".
Ao olhar para a cama, meu filho está chorando sem parar. O pego no colo e saímos dali sem olhar para trás. Eu não sei quem ou o que era aquilo debaixo da cama de Sam, mas eu posso dizer com certeza que ele não tem um irmão gêmeo.
Parado do outro lado da calçada, vejo uma sombra se movimentando pela casa. Corria, parecia procurar alguém. Era a cópia exata de Sam.
Ainda com Sam meus braços, corri para a casa de um vizinho, que me abrigou. Chamamos a polícia, mas quando a viatura chegou e inspecionou minha moradia, ela estava vazia. Claro que ninguém acreditou na minha história, eu e Sammy estávamos conectados de um jeito que apenas nós entenderíamos.
Até hoje sigo sem saber o que aconteceu naquele dia. Nos mudamos, afinal, não dava para permanecer no mesmo lugar onde tudo aconteceu. Às vezes penso se aquilo ainda está conosco, ou se ficou na casa. Independentemente, olho debaixo da cama de Sam todos os dias.
Talvez você também devesse olhar a sua.